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(imagem daqui)
Podia perfeitamente ser a outra pergunta do Twitter, já que é um dos temas mais recorrentes. No Twitter, há sempre alguém a comer ou a beber qualquer coisa e a informar alegremente os seguidores. É uma coisa impressionante, que se pega, como se fosse um vírus: espalhar a fome pelo Twitter fora. Trocam-se dicas sobre restaurantes. Pergunta-se por receitas. E twitta-se o que se come. Só nos últimos dias, li lampreia, pargo, salmão, sardinhas, cozido, bitoques (sempre!) e montanhas de variedades de cafés, chás e gelados. De todo o lado, aparecem tweets sobre o que se está a almoçar, a jantar, o que se está a cozinhar, o que se vai comer daqui a umas horas ou uns dias. E esta rapaziada não se contenta com aguçar o apetite dos outros, contando o que tem na mesa. Nada disso. Além de escrever, tira fotografias e usa o TwitPic para as mostrar a toda a gente. Está uma pessoa muito descansada às quatro da tarde a pensar que devia ir almoçar ou, pelo menos, ir comer umas torradinhas e pimba, leva ali em cima com a fotografia do prato do vizinho de Twitter, o bife e as batatas e o molho a escorrer para o pão ao lado. Uma crueldade. Acho que fazem de propósito, já que, pelo que se vai vendo, metade do Twitter está a pensar em ir comer qualquer coisa há várias horas (não sei porque é que não vão!) e a outra metade está a zurzi-los com cardápios variados em 140 caracteres e fotografias a condizer. É só para nos (eu disse “nos”?! “lhes”, eu queria dizer “lhes”!) azucrinar a molécula, só pode! Fazer inveja, obrigar-nos (los) a ir a correr assar um peixinho e umas batatinhas, uns bróculos, comer uns gelados, em suma: o Twitter contribui para o aumento de peso dos seus utilizadores, é um produto pouco saudável que causa obesidade.
Tenho feito algumas experiências, para comprovar a minha teoria que o se twitta é contagioso (agora vou ser crucificada). De vez em quando, a meio do dia, quando o almoço ainda não chegou ou a meio da tarde, atiro com tweet-chocolates nos meus updates. Que me apetece chocolates. Que estão ali ao lado. Ou não estão e é o desespero. Choro por eles, arranco cabelos, vou ali ao lado comprá-los a correr. E aposto! aposto que, ao ler aquilo, fica uma data de gente a roer-se por um também. Provavelmente até os comem. Eu – confesso aqui publicamente – nem sequer gosto muito. Now, shoot me.
Tags
Data
16 Março 09 15:18
Autor
Catarina Campos
Catarina Campos
é economista e trabalha na área financeira. É a autora do blog 100nada e editora/autora do blog Geta(Second Life).
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Catarina Campos
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