Já o ano de 2010 vai quase no seu fim, e uma série de novos eventos e novas edições surgem no panorama de discussão nacional. Mais uma vez, e depois de exemplos como o Upload Lisboa e a SwitchConference, um novo conceito de discussão feito a partir de empreendedorismo jovem lança-se no mercado dos eventos, e apresenta um núcleo duro de ideias sobre a criatividade em Portugal e as suas (ou inexistentes) industrias criativas. Chama-se Pensar Fora da Caixa mas podem trata-lo por #pfc2010.
* vídeo disponibilizado pela ESEC-TV
O Diário2 esteve à conversa com o João Barros, mentor do Pensar Fora da Caixa, para perceber que valor acrescentado trará este evento aos interessados na área e a todos aqueles que vêem nesta forma de empreendedorismo jovem um escape à falta de discussão dentro e fora da academia.
D2: Pensar Fora da Caixa é uma ideia surgida de onde?
João Barros: O #pfc2010 surge da necessidade de definir o papel da criatividade no momento crucial em que estamos. Desde 2006, ainda que pareça uma realidade nova, que o sector cultural e criativo ultrapassou os têxteis e a indústria alimentar em termos de contributo para o PIB. São 127 mil empregos que, em vez de substituir, podem ser uma ajuda essencial ao sector primário. Isto era um trabalho universitário. Mas faz muito mais sentido se o pudermos abrir à sociedade.
Que conceito estás implícito a este Pensar Fora da Caixa?
Mais do que uma conferência, o Pensar Fora da Caixa é um fim de semana com uma série de conversas sobre temas que vão do Design à Moda, sobre Marketing, Jornalismo, Colaboração e Trends. O público não vai assistir a uma série de lições mas sim participar em conversas, entrar na própria conversação.
Hoje em dia fala-se muito de empreendedorismo, empreendedorismo jovem. A equipa do #pfc2010 não é excepção. Com que dificuldades se depararam na organização deste evento?
Nós temos uma ideia própria em termos de empreendedorismo. Enquanto que para muita gente, o empreendedorismo passa por abrir um negócio por si, nós defendemos que é ter uma ideia e desenvolvê-la (para si ou junto do público). Estamos há quase cinco meses a trabalhar neste evento, e a pergunta que mais ouvimos foi “Porque não vêm para Lisboa fazer isto?”. Faz todo o sentido fazê-lo aqui em Coimbra, mas é muito mais complexo. Mas, por exemplo, o formato das conferências, que muita gente acha desinteressante e ultrapassado, tem muito potencial para se reinventar. É isso também que fazemos. Mais do que dificuldades, encontrámos muitos desafios interessantes.
Como se desenvolveu todo o processo de criação do evento? Com que parceiros contam?
Foram cinco meses duros porque envolveram e continuam a envolver muito tempo, no mostrar a ideia a potênciais parceiros, pela capacidade de ir mostrando coisas diferentes a pessoas e marcas diferentes e lutar por nos mantermos fiéis ao conceito original. Podíamos vender o evento e tínhamos muito menos problemas, mas é a primeira edição e, para nós, importa mostrar a ideia às pessoas. A equipa é constituída por pessoas de backgrounds diferentes e estamos ligados a eventos de música e a outro tipo de acontecimentos. É esse tipo de experiência que queremos importar para esta conferência.
Coimbra recebeu bem a ideia?
Sim, Coimbra precisa destes eventos. A cidade tem muita gente a criar valor durante os anos em que aqui estuda. Mas chega o final do curso e vão-se embora. Coimbra precisa de criar condições para que as ideias fiquem aqui, porque senão pára no tempo. Há um eixo de parceiros institucionais essenciais para que a conferência aconteça: a Câmara Municipal de Coimbra, o Turismo e a Universidade. Estamos juntos nesse objectivo. Estamos a colaborar e essa colaboração começa aqui.
Quais os oradores presentes no evento? Foi difícil escolher uma mão cheia de boas referências?
A ideia foi trazer para mesa quem está a transformar, neste momento e no nosso país, as ideias em acção. Há um painel sobre ‘Indústrias Criativas’, com a Guta Moura Guedes (Experimenta), um representante ligado à Addict e também a Guimarães, que vai ser Capital da Cultura em 2012. Haverá outro painel sobre ‘Os Novos Velhos Media’, moderado pelo jornalista Ricardo Rosa (@rickyrosa) para tentar perceber como é que os media tradicionais se foram adaptando à revolução actual, e com o Francisco Amaral, o Álvaro Costa e o Nick Mrozowski, que desenhou o i. Vai também participar no evento o Pedro Aniceto (Apple) e a Ana Cunha, numa conversa sobre Criação e Gestão de Marcas. Ao longo dos próximos dias serão apresentados mais nomes para o #pfc2010.
Que mensagem pretendem que seja atingida?
Havia alguém que, ao reagir aos números do sector cultural, disse : “Epá, então temos já que fazer alguma coisa sobre isso!”. A questão é essa mesmo, que passos de acção temos que tomar para que as Indústrias Criativas, que pelos vistos são uma prioridade do Estado, sejam não só algo de concreto, mas algo que resulte directamente nas nossas vidas, e nos orçamentos dos investidores.
Quais as expectativas para o evento?
Queremos trazer trezentas pessoas ao Pavilhão Centro de Portugal e colocar muita gente a discutir estes temas nas redes sociais, antes e durante o evento. #pfc2010 é a hashtag. Estamos a promovê-la, sendo quase que uma das peças centrais da comunicação. No Facebook estamos em facebook.com/pfc2010.
Local e preços?
O #pfc2010 acontece nos dias 20 e 21 de Novembro no Pavilhão Centro de Portugal, em Coimbra. Os bilhetes, que estão à venda em todas as estações de correio e em ctt.pt, custam 8€ (1 dia) e 10€ (2 dias). Há um bilhete VIP, para quem quiser ajudar a organização do evento, com uma série de benefícios especiais, que custa 30€ e dá acesso aos 2 dias. Podem consultar todas as informações sobre o evento no press kit oficial, disponível em http://issuu.com/pr360/docs/pfc2010
Tags: discussão, criatividade, industrias, #pfc2010







