Aproveitando uma entrevista que me foi feita há dias, eis um conjunto de perguntas sobre o Twitter com resposta para toda a gente ler, independentemente do seu grau de conhecimento sobre o serviço ser nenhum, algum ou muito.
P. As pessoas reduzem o Twitter a «uma mistura de blog, messenger e SMS». A fórmula é simples e não particularmente inovadora. Partamos do princípio de que estamos a falar para analfabetos: porque raio é que é uma ferramenta tão atractiva?
R. Pela versatilidade e simplicidade. As outras redes sociais pesam e complicam. E são lentas. O Twitter é leve, ubíquo (usas no computador, no telemóvel, no gadget…), instantâneo, viral.

P. De que forma é que um anónimo se pode tornar um twitter influente? Há técnicas para atrair seguidores?
R. A fórmula para a influência é sempre a mesma: trabalho, valor acrescentado, perseverança e humildade. O Twitter não é diferente das outras redes e meios de comunicação. É igual. Apenas mais simples, versátil e rápido. O que distingue os meios online é precisamente o acesso aberto a pessoas sem o dinheiro necessário para montar um jornal, revista ou rádio.
Técnicas para atrair seguidores, há algumas. Mas o seu uso pode ser perigoso, como se tem comprovado com as empresas, que curiosamente não aprenderam a lição dos blogs e insistem em cometer os mesmos erros.
P.Achas que o Twitter, pela forma como está a ser usado por alguns políticos portugueses, poderá mudar a nossa relação com a vida política?
R. Acho. Os exemplos começam a notar-se. Penso que o Twitter pode levar um pouco mais longe a revolução que a auto-edição — os blogs — já tinha introduzido no relacionamento do triângulo política – meios – cidadãos. O empowerment — talvez um pouco empolado no início — é real e está bem patente na quantidade de novas vozes que se fazem hoje ouvir no espaço público. O Twitter alia à capacidade viral — maior que em qualquer outra rede que eu tenha visto, é fogo! — a capacidade de debate, de troca de ideias. A obrigatoriedade dos 140 caracteres por mensagem é uma benção: obriga a passar a ideia, descartando os salamaleques e deferências. Depois, não há mediação, humana ou tecnológica. O que é, é. Isto significa, por outro lado, que o Twitter é mais adequado às pessoas que tenham da política uma visão aberta, e nada adequado a quem foi treinado para olhar as relações de uma forma vertical. As redes sociais serão instrumentos indispensáveis à actividade política democrática moderna: permitem tomadas de decisão rápidas e adequadas, pois aceleram e facilitam a comunicação entre os decisores e os alvos das decisões.
Pessoalmente, penso ainda que a espontaneidade dos cidadãos tem nas redes sociais um púlpito e no Twitter a rede de comunicações necessária às acções de massas. A devolução, por assim dizer, da espontaneidade ao espaço político, de onde foi afastado pela rigidez das marcações próprias do espectáculo mediático.
A prova: o movimento que em Fevereiro surgiu e culminou num petição para que Marcelo Rebelo de Sousa fosse cabeça de lista do PSD às europeias. Ironicamente para Marcelo, tornou-se o sujeito do primeiro facto político criado por cidadãos sem nome nos — nem acesso aos — meios tradicionais.
P.Não param de aparecer estudos que condenam as redes sociais, associando-as a mudanças hormonais, risco de cancro, demência, ataques cardíacos e o diabo a quatro… Como reages a isto e o que achas que se pretende realmente com esta visão apocalíptica?
R. Esse é o trabalho dos cientistas sociais. É óptimo que o desenvolvam e aprecio em especial o facto de hoje já o fazerem em tempo útil. Na primeira década da web andámos às escuras, sem o apoio dos estudos. É claro que se produzem estudos para todos os gostos e é saudável que assim seja. A vida é complexa e contraditória. Talvez alguns tenham um prazer especial em projectar a sua ignorância, quando não ódio, sobre o que identificam erradamente como o inimigo — tudo o que mexe na Internet –, escudando-se nos estudos negros, que realçam sob o pretexto da notícia. Admito que há casos desses, vi-os já este ano nas nossas televisões, mas considero-os irrelevantes e anedóticos. Como tal, fazem parte.
P.A Susan Greenfield, que se fartou de tecer acusações desse tipo, disse qualquer coisa como «receio que a conversação real seja substituída por diálogos fáceis e higiénicos no ecrã – da mesma forma que a caça foi substituída por embalagens de carne no supermercado. Talvez as gerações futuras reajam com a mesma repugnância à imprevisibilidade e envolvimento pessoal imediato de uma interacção real». Na tua opinião, estará o ‘poder das feromonas’ em risco?
R. Vou responder simplesmente isto: LOL.
P.E será que nas redes sociais nos tornamos todos muito mais atraentes?
R. Como? Onde? Também quero! Não. A base tecnológica das redes sociais de que estamos a falar não tem mecanismos para nos modificar a imagem. As redes sociais expõem os indivíduos uns aos outros como eles são. As projecções, nestas como nas redes sociais de outras bases, podem sempre ocorrer. A diferença é que aqui são mais depressa desmistificáveis.

P.Outra acusações prendem-se com a ideia de que tudo é um negócio. Já se falou da relação entre o Facebook e o fornecimento de dados dos utilizadores aos seus anunciantes. Há dinheiro por detrás do Twitter?
R. Há, a rodos. Há semanas a empresa por detrás do Twitter recebeu um suplemento de 15 milhões de dólares, se não estou em erro, do capital de risco americano. Eles não pediram financiamento: nesta altura não precisam e disseram-no claramente. O dinheiro foi ter com eles por iniciativa própria.
Quanto às acusações: claro que é tudo um negócio. As indústrias culturais, incluindo o entretenimento e a informação, são negócios. Já eram negócios antes da Internet. Essas são as queixas típicas dos perdedores.
Gosto mais dos novos players destas indústrias, a começar pela musical, que dos antigos, dos analógicos. O digital é menos propício ao roubo e à exploração do consumidor.
P.Tenho para mim que o Facebook é uma espécie de Hi5 em versão mais adulta e para pessoal que se considera mais sofisticado. O que faz com que haja diferenças entre os utilizadores de uma rede e de outra? O que determina estas tendências?
R. As mudanças são determinadas por 3 coisas. A menos importante é o interface. Um site com uma imagem adequada a adolescentes atrairá maior número deles que um site com apresentação sóbria. A segunda é a utilidade. O que podemos fazer no — mas também com o — serviço ou rede. Um adolescente consome e explora, um jovem adulto quer mostrar o seu valor, um adulto procura grupos de interesses. A terceira é, provavelmente, a mais importante, ainda que a sua importância esteja sub-avaliada. É o tempo. A fase de evolução em que cada sociedade, ou país, se encontra, numa escala que combina a informática (modelos mais ou menos modernos dos computadores) com o acesso à Internet em banda larga e com a taxa de penetração de ambas.
P.Julgo que o espírito de «conhecer pessoas via internet», o clássico «de onde teclas?», tem vindo a passar de moda. Porque é que isso aconteceu e qual será agora o maior objectivo de quem usa estas ferramentas?
R. De notar que há já gerações activas no mercado de trabalho que tinham Internet em casa aos 6 anos. O “dd tc” foi para elas igual ao “olá, quantos anos tens?” da primária. A demografia é a explicação para isso (como para tantas outras coisas). O objectivo depende muito da fase. Há 10 anos os internautas dividiam-se em dois grandes grupos: uma pequena minoria de geeks, que “faziam” a Internet e a informática e que gozaram de grande prestígio pois que a eles recorriam todos os outros, a maioria que estava toda no mesmo patamar de conhecimento. Hoje o segundo grupo não existe. Pulverizou-se em dezenas de sub-grupos. Assim, cada grupo tem 1 grau de conhecimento diferente. O meu grupo, o dos jornalistas que gostam de programar, tem o objectivo de alargar a sua audiência e sofisticar o relacionamento com elas, sem deixar de olhar para os sítios de onde chega o futuro. Quem acabou de aderir ao Facefook vai à procura dos seus conhecidos e de grupos para começar a integrar-se.
P.Será que alguma vez estas ferramentas de comunicação irão passar à história? A pergunta é lixada, mas… o que se prevê para o futuro?
R. Qual é a escala? Todas passarão à história mais tarde ou mais cedo. O que sei: a capacidade computacional e de arquivo de informação é hoje bastante maior do que a imaginação humana é capaz de usar, logo espero uma explosão de criatividade sem par na História. Uma ilustração? Para editar uma página na web, há 10 anos, era preciso saber algo de HTML e FTP. 5 anos depois, bastava saber usar o browser e o rato. Hoje eu monto a minha própria rede social sem precisar saber uma linha de programação. Aplicações complexas, acessíveis apenas a grandes equipas de programadores, hoje são módulos utilizáveis, quais peças Lego, por 1 criança a brincar às mercearias (virtuais).
Para os próximos 3 a 5 anos devemos esperar verdadeiros avatares — não a fotografia ou imagem que hoje passa por avatar, mas “representantes pessoais” ainda relativamente toscos, que (inter)agirão em nosso nome no espaço comunicacional difuso, emitindo mas sobretudo recolhendo e separando.
Devemos esperar imersão total na comunicação e, desta decorrente, o fim de qualquer ilusão de privacidade para quem mergulhe.
Devemos esperar a união do espaço comunicacional num único meio difuso e ubíquo: e-mail, blogs, jornais, televisão, mensagens pessoais, privadas ou públicas, socialização, etc, tudo em qualquer aparelho, tecnologia de transporte, e lugar.
Devemos esperar muito mais do que eu sou capaz de imaginar, quanto mais responder aqui


















Sinceramente vejo o Twitter como um fórum, uma ferramenta profissional muito útil. Ocorreu-me há dias se não poderá representar uma concorrência às agências noticiosas. Afinal, e como diria a @AlbertaMF, é a “informação na hora”.
“Como é que seguem as pessoas conseguem seguir 100, 500 ou mesmo 1000 pessoas? Isso do twitter é só para pessoas que não fazem nada o dia inteiro!”
Repitam a seguir a mim: O twitter não é email, o twitter não é rss. Não é importante, nem aconselhável, que se siga todos os tweets de todos os followers.
Eu vejo o twitter como um meio de comunicação excessivamente simples e excessivamente directo.
Aí reside o seu interesse..no excesso de informação que nos surge na mão e que temos que filtrar para encontrar o que realmente interessa. Podemos dizer a quem nos apetecer que nos sentimos lixados com a vida…que o céu hoje está brutalmente mais azul..ou podemos dizer que a vizinha do lado faz um barulho enorme ao acordar. Pode-se falar de poucas coisas..de muitas coisas e até de nada em especial. Esta facilidade de acesso às palavras é uma boa forma de educar a mente sobre o que é lixo e o que é aprendizagem e partilha.É uma espaço que vale a pena experimentar. A mim permite-me divulgar um pouco mais a minha escrita e permite que eu diga aquilo que sinceramente me apetece dizer..onde e quando me apetece. Neste país é raro podermos dizer o que queremos sem sermos censurados…
Este artigo está 5 estrelas para pessoas que, como eu, chegaram há pouco tempo ao twitter.
As redes sociais e a auto-edição revolucionaram a vida de muitas pessoas. O twitter, em particular, é tipo um canivete suiço… pois permite-me trocar ideias e opiniões com outros utilizadores; permite-me também reencaminhar os outros utilizadores para o meu blogue, para o jornal onde escrevo regularmente, e para outros sítios de interesse, até mesmo para os meus canais de videos originais. Finalmente, o twitter permite-me ainda apresentar, em 140 caracteres, amostras do meu trabalho de criativo, exposto aqui em tempo real.
Em sentido inverso, o twitter permite-me ir seguindo, ao segundo, tudo o que os meus
utilizadores preferidos vão escrevendo, e tudo isto em tempo real. Confesso que é viciante.
Claro que desde que comecei a frequentar redes sociais que comecei a habituar-me à reduzida privacidade inerente a este tipo de redes. Aliás, há um ano, tive sérios problemas com a minha instituição porque tive dois “pides” a seguir-me na net, tendo-me sido formalizada acusação em órgão formal da instituição contra a minha pessoa. E a acusação teve a ver com o simples facto de eu fazer criticas aos nossos governantes e à igreja. Na altura, correu muita tinta sobre o meu caso e discutiu-se na comunicação social e em muitos blogues até onde podia ir a liberdade de expressão de um académico que tem uma postura crítica perante a sociedade e as suas instituições.
Maria Filomena Mónica, João Paulo Guerra, Manuel António Pina, entre outras personalidades da nossa sociedade e cultura, assumiram posições públicas contra a cobarde censura de que fui alvo, levando a que a Universidade revisse a sua postura perante o meu “delito de opinião”.
O artigo do Pina está o máximo: http://my.opera.com/RichardCooper/blog/index.dml/tag/Cronicas
Isto tudo para dizer que quem anda nas redes sociais deve estar preparado para todas as eventualidades, inclusive, para aproveitamentos menos legítimos. do que aqui dizemos e opinamos.
Peço desculpa por me exceder sempre um pouco nestes meus comentários, mas deve ser para me “vingar” dos 140 caracteres ditatoriais do twitter ;o)
Cordiais cumprimentos
Daniel Luís
Então os blogs são opinativos e seguem as notícias.
E o Twitter que é versátil, leve, rápido transparece um fórum de leitura opinativa curta e direta.
Apesar da “baleia” ficar leve com os twitters, não estamos a pescar a “baleia”, estamos a pescar o que interessa sem mediação.
Estamos a pescar “dentro da baleia”; porque a “baleia”? mamífero que para se alimentar ingere uma quantidade enorme de vida marinha, digamos assim, plânctons, pois não são unicamente peixes!
A baleia Azul, ecologicamente correcta, ou seja, vamos directo ao assunto sem maiores delongas??!!!
Complemento:”as baleias azuis usam lâminas córneas na sua cavidade bucal para filtrar seu alimento (krill) da água do mar,É também o animal mais ruidoso do mundo. …….Emitem sons de baixa frequência que atingem os 188 decibéis — mais fortes que o som de um avião a jacto — que podem ser ouvidos a mais de 800 quilómetros de distância….”(wikipédia)
Os homens, a tecnologia e seus símbolos..:)