Profundamente ligado ao ambiente mobile, Tony Fish faz uma interessante análise sobre os elementos que rodeiam este tipo de plataformas. Aqui ficam alguns pontos (e a palestra em vídeo) que poderão ser importantes para perceber o sucesso e/ou o insucesso de algumas aplicações mobile com o intuito de compreender qual a direcção a seguir no futuro.
Consumo versus Criação
Um dado relevante é o facto das operadoras e marcas de telemóveis terem tentado (e algumas ainda poderão ter a tentação de) equipar os telemóveis pensando que iríamos ser consumidores e que iríamos fazer download de aplicações, música e vídeo. Segundo Tony Fish, em regra geral, os utilizadores de telemóveis não são consumidores mas criadores. Tiramos fotos na rua e queremos que apareçam no nosso blogue ou damos conta de um acontecimento e queremos divulgá-lo imediatamente. O facto de termos connosco o telemóvel em qualquer situação faz com que a maneira como se criam conteúdos na web e noutros circuitos de fornecimento de informação esteja a mudar significativamente.
A utilização do telemóvel para navegação na internet é um eterno problema e é preciso ter em conta que desde sempre houve uma simbiose perfeita na utilização do telemóvel no que respeita ao produzir-consumir ( nós telefonamos e alguém escuta, mandamos uma mensagem e alguém lê). Na web, não existe este balanceamento perfeito, por isso, de acordo com Tony Fish, as aplicações com características de puro consumo não irão resultar.
A importância e o valor dos dados
Ainda outros conceitos bastante interessantes de que fala Tony são relacionados com os dados. Assim, existem três tipos de dados:
• “click data” – Basicamente aquilo em que a internet é baseada.
• “content data” – Dados criativos, coisas que criamos.
• “my data” - A nossa localização, por exemplo, coisas pessoais que estamos dispostos a partilhar.
O foco deverá ir para o último ponto – “my data”. As potencialidades desde tipo de dados ainda não estão totalmente exploradas, mas há empresas que têm vindo a criar algum ganho e a tentar perceber quais os dados que partilhamos e até onde vamos nessa partilha. A Google é o principal exemplo desta abordagem. Para chegarmos a essa conclusão temos que perceber os seguintes factos:
• Os dados andam dispersos em várias plataformas telemóvel, internet, televisão;
• Os dados são analisados e interpretados e é criado valor a partir dessa análise;
• Se tivermos os dados e a análise teremos igualmente o valor;
• Para possuirmos os dados precisamos de controlar as plataformas.
O esforço da Google está amplamente descrito nestes pontos e o exemplo do dashboard é um pequeno vislumbre do que a Google conhece sobre nós e de como esse conhecimento poderá ser utilizado, criando-se valor tendo-o como base. O facto de a Google apostar em plataformas (Android, Google Mobile, Google Voice, AdMob ) para os aparelhos móveis faz todo o sentido neste contexto.
Como refere Fish, a prática comercial a nível mundial baseia-se neste tipo de informação, para gerar confiança entre quem consume e quem fornece. Qualquer tipo de serviço desde o gás em casa à televisão por cabo precisa que provemos quem somos e para isso necessitamos de facultar “my data” a quem nos pedir.
Potencial estagnado
A tecnologia mobile tem estado estagnada por inúmeras razões. Um dos motivos de que fala Tony Fish é o facto de os principais intervenientes no mercado mobile estarem focados no controlo, contrariamente ao que acontece com a internet, em que praticamente toda a infra-estrutura se baseia em standards e formatos abertos estando o foco maioritariamente na disponibilização de informação.
Muito mais há a extrair da palestra dada por Tony Fish, cujo visionamento se aconselha vivamente. Bastam cerca de 20 minutos de atenção e disponibilidade.
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