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	<title>Diário2 &#187; saramago</title>
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	<description>A vida em tempo real</description>
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		<title>Caras e corações</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Sep 2009 08:45:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernanda Câncio</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Quase todas as semanas se lê uma entrevista ou um texto de opinião em que uma qualquer individualidade (bela expressão esta, que faz do carácter individual uma qualidade) se insurge contra blogues, Twitter e Facebook e o que mais haja de “redes sociais” na net. Um dia é Saramago a afiançar que “se escreve muito [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quase todas as semanas se lê uma entrevista ou um texto de opinião em que uma qualquer individualidade (bela expressão esta, que faz do carácter individual uma qualidade) se insurge contra blogues, <a href="http://twitterportugal.com/blog/tag/twitter">Twitter</a> e <a href="http://twitterportugal.com/blog/tag/facebook">Facebook</a> e o que mais haja de “redes sociais” na net. Um dia é <a href="http://diario2.com/tag/saramago" class="st_tag internal_tag" rel="tag" title="Posts tagged with saramago">Saramago</a> a afiançar que “<em>se escreve muito mal nos blogues</em>” (isto vindo de alguém que até tem um blogue) e que “<em>cada vez se escreve mais e pior</em>”; noutro é Miguel <a href="http://diario2.com/tag/sousa-tavares" class="st_tag internal_tag" rel="tag" title="Posts tagged with Sousa Tavares">Sousa Tavares</a> a certificar que “<em>odeia</em>” o  <a href="http://diario2.com/tag/twitter" class="st_tag internal_tag" rel="tag" title="Posts tagged with twitter">Twitter</a> e o <a href="http://diario2.com/tag/facebook" class="st_tag internal_tag" rel="tag" title="Posts tagged with Facebook">Facebook</a> e que são formas de as pessoas “<em>arranjarem namorados</em>” e de “<em>terem a ilusão de terem muitos amigos sem saírem da frente do computador</em>” (cito de memória).</p>
<p><img src="http://cache.diario2.com/blog/wp-content/uploads/2009/09/mstjs.jpg" alt="mstjs" title="mstjs" width="500" height="218" class="alignright size-full wp-image-1740" /></p>
<p><span id="more-1730"></span></p>
<p> A aversão que alguns afirmam pela net e pelo que nela se passa, nomeadamente no domínio da escrita e da interacção, não cessa de me acrescentar perplexidade.<br />
Num debate em 2006 na Casa Fernando Pessoa, Eduardo Prado Coelho afirmava não ler blogues e não gostar. Na assistência do dito debate, havia quem chegasse ao ponto de comparar blogues com jogos de computador, para concluir, contra os blogues, que “<em>a escrita exige tempo e reflexão, não pode ser instantânea</em>”.<br />
Esta ideia de que, por uma qualquer alquimia tecnológica, o fenómeno de juntar letras com ideias e construir frases no processador de texto para publicar na net daí a minutos é radicalmente diverso daquele em que se escreve no mesmo processador para jornais, revistas ou livros (cujo tempo de publicação não depende do autor) é extraordinária. Tanto mais que lhe subjaz a ideia, expressa por Saramago, de que escrever em blogues equivale de um modo geral a escrever mal, e de que, como insinua Sousa Tavares, as pessoas que escrevem nos blogues ou interagem no Twitter e no Facebook estão desesperadas de solidão e de vontade de dialogar com desconhecidos e de se fazerem interessantes.<br />
Ora bem: quem é que visa publicar o que escreve, seja sob que forma for, sem que isso não implique vontade de dialogar, de partilhar e de se fazer interessante? Que leva Sousa Tavares a discorrer “<em>em público</em>” sobre a sua vida e experiências senão a ilusão de que isso interessa a alguém e, por decorrência, que ele próprio é interessante? Quando dá uma entrevista ou opina nos jornais e na TV, não está a assumir que acha que o que tem para dizer, seja sobre o governo seja sobre o Twitter, é relevante para os outros? Não está a desejar e a invocar uma audiência de desconhecidos? Que diferença existe entre isso e escrever num blogue ou no Twitter, a não ser o facto de que quem o faz por regra não tem outras contrapartidas que não o gozo e, eventualmente, as vantagens – ou desvantagens – que advêm de uma exposição mais ou menos pública?<br />
De facto, em abstracto, se diferença existe entre uma coisa e outra é o facto de quem fala no Twitter, no Facebook ou nos blogues o fazer por simples e pura vontade de comunicar – e isso é de facto uma novidade que além do mais recupera as clássica fórmulas “epistolar” e “diarística” .<br />
Mas escreve-se mal na net, diz Saramago. Escreve-se pior na net que nos jornais e na miríade de livros que se publicam todos dias? A grande diferença é que no caso da net e dos blogues o acesso é irrestrito e grátis, quer para quem escreve quer para quem lê, e consequentemente há “<em>mais escrita</em>”. Desde quando mais escrita é uma desvantagem? É normal que a ideia da democratização e universalização comunicacional introduzida pela net assuste quem se formou num modelo unívoco e restritivo, mais ou menos ditatorial, de comunicação escrita. É normal rejeitar aquilo que não se domina ou se estranha – e que por esse motivo nos desorienta. Mas decretar opróbrios com base nisso ou alegar um qualquer certificado de autoridade ou até de “naturalidade” comunicacional (como se houvesse formas de comunicação e sedução mais genuínas que outras) é capaz de ser patético. Cada um expõe-se &#8212; ou põe a cara &#8212; no que entende e pode: na TV, nos jornais e revistas, nos blogues ou num sítio adequadamente chamado “livro de caras”. Do coração depende o resto.</p>
<p>(Publicado na coluna &#8216;sermões impossíveis&#8217; da Notícias Magazine algures este Verão, e repescado por causa <a href="http://dn.sapo.pt/inicio/pessoas/interior.aspx?content_id=1362243">disto</a> no <a href="http://jugular.blogs.sapo.pt/1139176.html">blog jugular, primeiro</a>, e agora aqui.)</p>

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		<title>José Saramago: Ensaio sobre o Twitter</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Jul 2009 16:46:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sergio Bastos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Entrevistado pelo O Globo no passado domingo, o nobel da literatura José Saramago opinou sobre o Twitter como realidade da comunicação actual. Afirmou: &#8220;Os tais 140 caracteres reflectem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido.&#8221; Parafraseando Ricardo Araújo Pereira num [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="size-full wp-image-1270 alignnone" title="josesaramago" src="http://diario2.com/uploads/josesaramago.jpg" alt="josesaramago" width="500" height="261" /></p>
<p>Entrevistado pelo <a href="http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/posts/2009/07/26/jose-saramago-fala-sobre-twitter-lula-seu-novo-livro-208101.asp">O Globo</a> no passado domingo, o nobel da literatura <strong>José <a href="http://diario2.com/tag/saramago" class="st_tag internal_tag" rel="tag" title="Posts tagged with saramago">Saramago</a></strong> opinou sobre o <a href="http://www.twitter.com">Twitter</a> como realidade da comunicação actual. Afirmou:</p>
<p>&#8220;<strong>Os tais 140 caracteres reflectem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido.</strong>&#8221;</p>
<p>Parafraseando <a href="http://www.youtube.com/watch?v=Rf-9SqZ6V80">Ricardo Araújo Pereira num brilhante sketch</a>, &#8220;concordo com a primeira parte, discordo da segunda parte. Tenho dúvidas em relação a três vírgulas e sou contra o ponto de final&#8221;.<span id="more-1267"></span></p>
<p>Falando mais a sério, não é expectável que <strong>José Saramago</strong>, que teve uma relação de décadas com a máquina de escrever enquanto jornalista e romancista, se converta a meios de comunicação em rede. O seu desenvolvimento enquanto ser social, não é o mesmo da geração “móvel” que cresceu com generalização do computador e telemóvel. A informação disponibilizada em rádio, TV, extensos jornais e livros não acompanha a necessidade do consumidor actual, mas é o cenário satisfatório para quem viveu boa parte da vida nesse contexto.</p>
<p>Nos “tempos modernos&#8221;, não é só modelo de leitor que se altera, é o próprio agente da notícia. Por exemplo, na terça-feira <strong>Lance Armstrong</strong> <a href="http://twitter.com/lancearmstrong/status/2878598422">utilizou o Twitter para responder a “provocações” de Alberto Contador</a>, ambos da equipa de ciclismo Astana. A notícia nasce cada vez mais na Internet e em linhas sucintas.</p>
<p><a href="http://ultimahora.publico.pt/noticia.aspx?id=1393520&amp;idCanal=4870">O tráfego de dados aumentou dez vezes nos últimos dois anos</a>. Frente ao computador, os jovens passam tanto ou mais tempo, como a anterior geração frente à TV, e as ascendentes em redor da rádio e a esfolhear um livro. Alguns “velhos lobos” da informação percebem isto e, mesmo não acreditando 100% no meio, não deixam de marcar presença. Veja-se <a href="http://twitter.com/KingsThings">Larry King</a>, que todos os dias tem algo a dizer (de trabalho) aos mais de 850 mil seguidores. Outros senhores espectáculo, como <a href="http://www.youtube.com/watch?v=CbfZvyzDSYU">David Letterman, não entendem &#8211; ou fazem que não querem entender </a>- o poder de influência que a informação concisa pode ter.</p>
<p>Na elegia a <strong>Walter Cronkite</strong> que escreveu no passado sábado no <a href="http://www.publico.pt">Público</a>, <strong>Eduardo Cintra Torres</strong> referiu que o jornalista americano trabalhava o texto das notícias de forma a terem não 15, mas 10 segundos. O objectivo era poder incluir mais informação no formato telejornal a que dava voz. Como vemos, o tema “concisão” não é novo e foi preocupação de um dos mais elogiados profissionais da informação.</p>
<p>Se caminhamos para o grunhido não sei, mas parece-me claro que a concisão, o dizer mais com menos caracteres são exigências do nosso tempo. Hoje temos mais informação disponível e cabe a um torná-la conhecimento.</p>
<p>(Crédito da foto de Saramago: <a href="http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Josesaramago.jpg">Wikimedia Commons</a>)</p>

	Tags: <a href="http://diario2.com/tag/saramago" title="saramago" rel="tag">saramago</a>, <a href="http://diario2.com/tag/twitter" title="twitter" rel="tag">twitter</a><br /><br/>

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