Spam no Twitter: excelente forma de matar um bom produto

avatarBruno Ribeiro 17/09/2009

spam

Recebi ontem um @reply no de um perfil que até então desconhecia e que nem sequer me estava a seguir. O tweet era claramente promocional sobre um anúncio de uma marca de cosméticos que era “fantástico, belo e provocante”. Tendo em conta o meu trabalho no PubADdict (estará de regresso em breve) resolvi seguir o link para o dito anúncio no Youtube. Não é fantástico, nem muito provocante, mas é bom. Suficientemente bom e interessante para eu pensar em fazer um post sobre o mesmo, não fosse a táctica usada para divulgá-lo: .

Resolvi então ver o perfil de quem em havia enviado o tweet – normalmente faço isso primeiro mas desta vez estava mais interessado no anúncio – e vejo que se trata de um perfil recente, presumo que apenas para promover esta campanha, que não segue ninguém, tem apenas 1 follower e que conta com 127 tweets, todos lançados ontem à mesma hora e de acordo com o mesmo formato: @[nome do destinatário] mensagem.
Não sei qual o ponto comum destes 127 perfis já que as nacionalidades e línguas de escrita são diversas e não há uma única palavra na descrição do perfil que os ligue. Provavelmente fizeram uma pesquisa para uma determinada palavra no motor de pesquisa do Twitter e seleccionarm 127 perfis que a usaram. Como não falo de cosméticos, apostaria que a palavra “ad” ou “ads” tenha sido a escolhida.
Normalmente trato o spam com indiferença, mas este caso é diferente por um único motivo: estes tipos têm um produto (o anúncio porque os cosméticos desconheço) bom que não necessita de tácticas destas para ser divulgado! Aliás, as avaliações e comentários no Youtube provam-no (se bem que, tendo em conta a forma de promoção, agora tenho dúvidas se serão reais ou fabrivados). Se eu tivesse encontrado o anúncio algures na web, ou se me tivessem chamado à atenção para o mesmo de uma outra forma, eu iria divulgá-lo no meu blog ou no Twitter. Como preferiram aderir ao spam, ainda por cima de forma descarada e amadora, não o farei.
Só existem 2 motivos para explicar o porquê de terem optado pelo spam no Twitter: ignorância e/ou preguiça! No primeiro caso, tratar-se-á provavelmente de alguém que está habituado a spam por e-mail ou que julga que os funcionam de acordo com as regras que estiveram em vigor na publicidade durante o séc. XX. Não percebem como usar as ferramentas, não estão habituados a dialogar e utilizam a via mais fácil de promover algo. Isto por si só demonstra preguiça, mas ela é tanto maior quanto se tenha a noção da quantidade de artigos – online e offline – escritos sobre o assunto e a imensidão de conselhos sobre como abordar pessoas no Twitter ou outras plataformas.
Desconheço se a campanha é “caseira” ou se recorreram a alguma agência de comunicação para promovê-la no Twitter. O anúncio conta actualmente com mais de 400 visualizações – foi colocado ontem – e mais de 50 avaliãções. Se a isso somarem os clicks no short url usado, não duvido que considerarão a campanha um sucesso. O que não vão ter em conta é que se tivesse feito uma abordagem mais profissional personalizando as mensagens enviadas pelo Twitter provavelmente a campanha teria um sucesso muito maior. Mas isso dá muito trabalho.
Certamente haverá outras marcas que actuam da mesma forma, e depois anunciam que fazem campanhas nos social media de grande sucesso. Bom para elas. Correm o risco de serem denunciadas ou de perderem a possibilidade de realmente terem uma campanha de grande sucesso e de garantirem um capital de confiança para futuras campanhas. É um risco que correm. O problema é que certamente nem sequer estão conscientes desse mesmo risco.

P.S. Normalmente, quando se denuncia uma acção de spam descarada como esta indica-se o nome da marca/agência por detrás da mesma. Optei por não fazê-lo por um motivo: não lhes dar publicidade gratuita! Se colocasse o nome da marca ou da campanha, mesmo sem link, não duvido que a maioria das pessoas que lerem este post iriam procurar o dito anúncio. Estaria eu então a contribuir para esta campanha quando o meu objectivo é precisamente o contrário.

Foto "Spam Wall" de twinleaves
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Data
17 Setembro 09 17:30

Autor
Bruno Ribeiro
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é licenciado em Psicologia Social e é responsável pelos projectos de Social Media Marketing & Internet Sales da Douro Azul. É autor dos blogs PubADdict e Dissonância Cognitiva.


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