Quem são os "amigos" nas redes sociais e como os contabilizar


paulo.querido@gmail.comPaulo Querido 18 Junho 09 15:30
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Num elástico exercício facultado pelas “novas tecnologias” (uso a expressão que ouvi hoje a um respeitável político referindo-se a ferro velho informático com pelo menos 10 anos), tiro do meio considerado “do cidadão”, conversacional, uma explicação que aqui se converte — magia! — numa “mensagem” veiculada em formato antigo, de difusão.

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Brincando com o conceito mcluhanista de o meio ser a mensagem, provo que as redes sociais não implicam a libertação dos cidadãos a troco da escravização dos antigos mensageiros. Na verdade, libertam ambos.

As mensagens podem ser conversadas sem deixarem de ser emitidas. E vice-versa. O que se estilhaçou foi o meio, não as pontas. Ao tornar-se potencial emissor, o receptor não deixa de ser, essencialmente, um receptor. E vice-versa.

Tudo é possível — obrigado, deuses das tecnologias (vamos deixar cair o “novas”, vamos?).

Vou, então, difundir numa publicação vertical a mensagem que começou a vida como uma conversa numa rede social.

O uso do termo “amigos” é um amigável abuso por parte dos empresários que fazem as redes sociais. Convidar pessoas para nós da nossa rede não implica à partida (embora também não exclua) a existência de uma amizade prévia. Nem implica a pretensão de a estabelecer. Quando muito, é uma porta que se abre — ler alguém, episodica ou repetidamente, pode levar à descoberta de alguém com um interesse temático coincidente.

Equivocam-se os sociólogos e psicólogos que veêm as coisas mais mirabolantes nas redes sociais, diabolizando-as ou incensando-as — muitas vezes alternadamente. Uma rede é uma rede é uma rede — uma estrutura que permite contactos desintermediados com cada nó da rede, tirando nós daí o partido que entendermos. Ou mesmo tirando valor meramente da observação passiva da actividade da rede — trending, crowdsourcing.

A existência no Facebook de pessoas com mais de 5.000 “amigos” é extraordinária? Significa ausência de critérios na respectiva “aquisição”? Deixe-me então responder com outra questão dupla: É extraordinário o Expresso ter 400, 500 mil, um milhão de leitores? Tem-nos devido a um critério premeditado ou à ausência dele?

O Facebook e as outras redes sociais não são apenas meios “do cidadão”, são meios de todos os cidadãos, individuais e colectivos. O poder que facultam não está reservado a priori a uma parcela, casta ou grupo. Há lugar a todo o tipo de comunicação — incluindo o velh, bom broadcast, as mensagens de um pequeno grupo para um grande grupo. Uma audiência. É o caso das entidades (pessoas ou colectivos) que acumulam muitos “amigos”.

Contabilidade dos “amigos”

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A popularidade é apenas uma das medidas disponíveis para avaliar desempenhos e presenças. A popularidade é importante para uns e secundária, ou inútil, para outros. Engraçado é a rede comportar os diversos tipos de presença. Eu sigo (sou “amigo”, faço parte da audiência) entidades tremendamente populares como leio (sou “amigo”, faço parte da audiência) entidades com pequeníssimas redes. Uma destas últimas tem um impacto social e económico na vida pública portuguesa muito maior que um daqueles, a despeito da desproporção dos tamanhos das respectivas redes.

A relevância é outra medida. Sendo uma medida complexa. Enquanto a popularidade tem um contrário bem definido (a impopularidade), um nó da rede pode ser relevante com sinal positivo ou com sinal negativo (e até com os dois sinais simultâneos, sendo considerado por uns públicos e desconsiderado noutros grupos).

Mas talvez a medida mais importante acabe por ser a satisfação. A minha actividade na rede satisfaz-me? Dá-me gozo? Dá-me prestígio? Arranjo parceiro/a? Obtenho recompensa em dinheiro, directo ou indirecto? Abre-me portas?

Das diversas medidas, a medida que toma em consideração o número de “amigos”, a dimensão da rede, é a medida da popularidade. Daí as competições entre campeões de popularidade (repare-se no cortejo de celebridades no top dos mais seguidos no Twitter, rede que, dizem estudos recentes, está surpreendentemente próxima do tradicional modelo de broadcast, com 10% das contas a emitirem 90% do conteúdo. Vendo a vanitas dominar o top, ninguém diria).

Crédit das imagens: Crédito: laffyak (Flickr) e kolahstudio.com



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Data
18 Junho 09 15:30

Autor
Paulo Querido
paulo.querido@gmail.com
é consultor de comunicação e empreendedor. Mantém o webzine pessoal Certamente!. É o autor do dossiê Eleições 2009, do Público. Edita a iniciativa web do Estado português para o Ano Europeu da Criatividade e Inovação, Criar 2009. Tem dois projectos jornalísticos em desenvolvimento: Diário2.com e Jornalist.as. E não pára! Envie mensagem directa no Twitter. Onde me encontro:




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