Quanto vale uma recomendação ou a promoção do meu ego?

avatarRaul Pereira 18/03/2009

Jason Calcanis, num tweet a Dave Winer, lançou uma proposta séria ao Twitter: pagar 250 mil dólares por dois anos de permanência num dos slots de utilizadores recomendados pelo Twitter. Esta questão gerou uma grande quantidade de artigos que captaram a atenção dos pesos-pesados da web.
Simplificando, muitos dos grandes egos da Internet, questionaram o Twitter porque é que uns eram vistos pela empresa como recomendáveis e eles não. Como é fácil de ver, uma página deste género, lançada há pouco tempo, gerou um número de impressionante para quem garantiu lá o seu lugar, cortesia do Twitter.
Algumas primma-donnas ficaram naturalmente agastadas por não pertencerem à selecção de elite do site de mico-blogging. É natural que assim seja. Muitas destas pessoas criaram aura à volta delas, uma espécie de culto de personalidade que, para o bem e para o mal, tem de ser mantido com muito trabalho. Redes de mais de 100 mil pessoas não se constroem da noite para o dia. Ou talvez não… Ora vejamos.
Já no dia 20 de Fevereiro, num blog do Los Angeles Times, Mark Milian redigiu ,uma pequena peça onde descreveu que, um mês após o lançamento da página de sugestões, vários tweeters tinham visto a sua conta atingir um número impressionante de novos seguidores e ligou algumas reacções a este caso. Parecendo que não, isto vale dinheiro. Muito dinheiro, na opinião de alguns. No fundo é uma grande prenda oferecida de mão beijada por Evan Williams. O CEO do Twitter justifica-se, afirmando que muitos novos utilizadores largam o serviço pouco tempo depois do registo porque não sabem o que fazer a seguir. Desta forma, seguindo as pessoas recomendadas, entendem mais rapidamente a sua dinâmica. Garante ainda que esta funcionalidade melhorará no futuro.
Apesar de tudo, ao ritmo de crescimento avassalador, isto significa dezenas de milhar de novos utilizadores diários. Estes têm a sua primeira forma de contacto com o Twitter na caixa de recomendações e as pessoas recomendadas ganham naturalmente um grande número de followers novos todos os dias.
Ainda sem uma política muito visível de transformar o seu imenso valor em dinheiro, o Twitter pode ver aqui mais uma forma de lucro. Esta seria uma fórmula um pouco agressiva mas porventura eficaz. Imaginemos ser possível redireccionar cada utilizador por país de origem e cobrar em concordância com o valor de mercado. Por exemplo: aos utilizadores portugueses
ser-lhes-ia dada uma lista diferente da dos tweeters canadianos. Em Portugal quem quisesse marcar a sua presença nas sugestões, pagaria durante um ano (isto em valores hipotéticos) €50 mil e, no Canadá, pagaria $90 mil.
Dave Winer, um dos opinion-makers que mais respeito na Internet, logo após o tweet de Calcanis, disparou em todos os sentidos. Acusou Evan Williams de favorecimento, amiguismo e de castigar quem por vezes escreve coisas menos simpáticas sobre o Twitter. Alertou ainda para o facto de, neste caso, a relação serviço / empresa não ser muito saudável.
De facto, apesar do extraordinário valor do seu serviço, ao colocar alguns utilizadores acima de outros e deixar de lado grandes nomes como Robert Scoble, Leo Laporte ou Guy Kawasaki, o Twitter arrisca-se a criar retaliações nada saudáveis. Lembramos que a adopção quase paternal de Robert Scoble pelo FriendFeed foi provavelmente a maior razão de sucesso dessa rede de partilha. Uma fuga em massa ou opiniões menos favoráveis destes ícones seria algo difícil de sanar.
Além disso, analisando os dados de Michael Arrington, o Twitter parece estar a jogar em terreno pantanoso. É que, apesar do TechCrunch aparecer na lista de sugestões, isso parece não gerar muito mais tráfego ou, se preferirmos, tráfego de qualidade. Compreende-se que assim seja; o retorno de um ganho repentino de muitos followers é difícil de calcular, uma vez que a maioria desses novos utilizadores adere por impulso, numa atitude de mera curiosidade. Claro que, para projectos específicos como o nosso, que recebem a grande fatia do bolo vinda do Twitter, isso é menos verdade e até a prova de como o Twitter pode gerar valor acrescentado e criar novas publicações baseadas somente no tráfego que canaliza. Isto é válido também para as centenas de apps [ver def.] que orbitam à volta da rede de micro-publicação.
Questão de sentimento de pequenez ou de verdadeiros lucros, este é um assunto que, provavelmente, ainda vai estampar muitos milhões de caracteres na rede. Palpita-me que ainda voltarei a ele.

Altamente recomendados!
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Data
18 Março 09 19:21

Autor
Raul Pereira
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é Historiador de Arte, escritor e blogger. Com presença na Internet desde 1995, tem dedicado especial atenção à Web Social e aos blogs, onde manteve, durante cinco anos, um projecto conhecido, embora independente e anónimo. Actualmente encontra-se a preparar o seu primeiro romance histórico, cujo processo de escrita descreverá no seu blog Libro Primo. É ainda colaborador regular no Diário Ateísta. Gosta de software-livre e instala, em média, um sistema operativo por semana, apenas para se divertir. Por isso mesmo foi também convidado a participar no Programas Livres.



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