Quando o tamanho realmente importa…

avatarRaul Pereira 26/03/2009

O limite de caracteres imposto pelo Twitter é a raiz do seu sucesso, mas também pode ser um problema quando sentimos a necessidade de partilhar um ou outro link mais extenso de uma página que captou a nossa atenção.
Para colmatar esta dificuldade, surgiram vários serviços de . Estes compactam os links maiores em links muito mais pequenos e, por isso, mais fáceis de enviar em serviços de micro-blogging.
Os utilizadores mais experientes, já repararam certamente que os links do serviço mais antigo e mais utilizado, o TinyURL, estão a ficar cada vez menos “tiny”. Eu próprio queixei-me disso há meses e, simplesmente, escolhi serviços mais sólidos ou com mais funcionalidades, como o is.gd, o bit.ly e o cli.gs.jpg
Outro dia, no entanto, surgiu, com algum aparato, um serviço de short-linking que utiliza codificação Unicode para tornar os links ainda mais pequenos e, sobretudo, curiosos. Inserindo o link do TwitterPortugal Blog, foi isto que me saiu: http://✩.ws/Ⓥ (c/ a variante ainda mais curta www.✩.ws/Ⓥ).

 

No entanto, para João Pedro Gonçalves,  responsável pela Investigação e Search do SAPO, isto não é nada de muito novo, uma vez que já andava a desenvolver com a equipa de Pesquisa algo semelhante há alguns meses: o PunyURL. Contactei-o para falar do projecto através de uma por email. Respondeu-me prontamente com uma rara disponibilidade e simpatia que desde já agradeço.

 

TwitterPortugal blog: Há quanto tempo trabalham neste projecto?

 

João Pedro Gonçalves: Foi um projecto curto; a equipa da Pesquisa do SAPO aproveitou a semana entre o Natal e o Ano Novo de 2008 para desenvolver internamente. Acabamos por lançar ao público em Março.

 

TPB: Como surgiu esta ideia?

 

J.P.G.: O PunyURL é um mini-projecto que apareceu por necessidades do SAPO de ter um sistema de compressão de URL’s. Na Pesquisa do SAPO já fazemos um pouco disso há vários anos, no domínio ‘.sapo.pt’, em que quando um hostname não existe – por exemplo http://twitter.portugal.sapo.pt/ – resulta numa tentativa de encontrar o site na rede SAPO ou então numa busca.
Planeámos um compressor de URLs, e a ideia de utilizar Unicode e Punycode surgiu por termos na equipa pessoas que “respiram” Unicode. Juntámos ideias e apareceu o PunyURL.
Uma explicação mais técnica do projecto está num post do blog SAPO Developers. http://developers.blogs.sapo.pt/5377.html

 

TPB: Continuam o seu desenvolvimento? Continuam a procurar ideias para ele?

 

J.P.G.: Temos várias sugestões que foram aparecendo, como colocar o site em Inglês, que não é costume na rede SAPO. É um mini-projecto, depende muito da utilização que a comunidade lhe der.

 

TPB: Este género de codificações encontra muitas barreiras de leitura, por exemplo, em alguns clientes Twitter, como o TweetDeck, que sentem dificuldade no reconhecimento de caracteres unicode, ou mesmo no Facebook. Que dificuldades têm encontrado na vossa pesquisa?

 

J.P.G.: O Punycode é um standard, definido no RFC 3492. No entanto tem sido abusado por Spammers e por Phishing. No contexto do Twitter, sei que os programadores das várias aplicações têm respondido positivamente e pretendem actualizar o seu processamento de URLs para suportar Punycode. Em casos como o Facebook ou outras aplicações e sites mais genéricos, com maior risco de ataques, não sei o que pretendem fazer.

 

TPB: Foi devido a alguns destes problemas que decidiram continuar a desenvolvê-lo sem o lançar a público?

 

J.P.G.: Nas primeiras semanas estivemos a validar se de facto não haveria problemas com os browsers. Desde o início que criámos a possibilidade de enviar links em texto - http://熉.sl.pt é equivalente a http://c5l.sl.pt – para evitar este tipo de problemas.

 

TPB: Que outras aplicações vês nestes projectos para além da micro-publicação? Muita gente considera que o Twitter deveria oferecer a funcionalidade de short-linking de raiz e que isso acabaria por extinguir estes serviços em pouco tempo. Vês outros nichos de utilização?

 

J.P.G.: O mais óbvio é o envio de URL’s por SMS, para o SAPO vem daí a necessidade de ter um serviço destes.

 

TPB: O hyperink é o esqueleto da web. Prevês alterações significativas na forma como os sites comunicam entre si? Como vês o futuro?

 

J.P.G.: A dimensão actual da World Wide Web deve-se muito à facilidade e flexibilidade de criar uma ligação entre páginas, nos últimos anos o debate sobre o papel do “link” tem sido mais aquecido por causa dos sites de phishing e de aplicações AJAX que não permitem links directos. Por outro lado os motores de busca continuam orientados à URL para apontar a um recurso de conteúdo. O próprio Twitter gera um hyperlink para cada mensagem que é enviada, apesar da informação nela contida ser bastante reduzida.

 

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Data
26 Março 09 16:00

Autor
Raul Pereira
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é Historiador de Arte, escritor e blogger. Com presença na Internet desde 1995, tem dedicado especial atenção à Web Social e aos blogs, onde manteve, durante cinco anos, um projecto conhecido, embora independente e anónimo. Actualmente encontra-se a preparar o seu primeiro romance histórico, cujo processo de escrita descreverá no seu blog Libro Primo. É ainda colaborador regular no Diário Ateísta. Gosta de software-livre e instala, em média, um sistema operativo por semana, apenas para se divertir. Por isso mesmo foi também convidado a participar no Programas Livres.



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