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Hoje é sexta-feira: dia de #followfriday. Há apenas dois meses, logo à uma da manhã a minha timeline estaria inundada de tweets marcados com o #hashtag mais famoso do universo – se descontarmos o nosso #deb15. Mas agora o arranque é mais preguiçoso, e já não se chega à exuberância de outros tempos. O que levou o @JGAndre a concluir que o #followfriday está em crise. It’s sooooo 1st semester, digo eu.
O que terá contribuído para a decadência – pelo menos entre nós , portugueses – deste simpático ritual de referenciação? Desde logo, o seu próprio sucesso. O que é de mais acaba por cansar. Mas também o facto de a sua estrutura de incentivos potenciar um uso saturante do instrumento. Explico-me: supostamente, o #followfriday destina-se a indicar pessoas interessantes de seguir a terceiros. Isto é, trata-se de uma forma de alguém acrescentar valor à rede dos seus seguidores, indicando-lhes novas pessoas a seguir. Essa é a lógica global do conceito.
A lógica individual, no entanto, é outra. O tuiteiro, como qualquer ser humano, pretende antes de mais maximizar a sua utilidade. Como se faz isso no twitter? Dando à comunidade, para receber dela. Só que a comunidade não é propriamente uma multidão atomizada para a maior parte de nós: trata-se de um conjunto relativamente estável de pessoas com quem vamos estabelecendo relações. É aí que começam a entrar em jogo factores que viciam o #followfriday.
Um deles é o seu carácter repetitivo. Se a comunidade de um determinado twitter é relativamente estável – digamos que passa de 260 para 267 seguidores numa semana – é pouco provável que ele tenha muitos novos #followfridays a dar. No entanto, não deixa de os dar. Porquê? Porque aí entra o segundo factor: a personalização das relações. Se tal pessoa me deu um #followfriday, poderei deixar de lho retribuir? E por aí adiante.
Entra-se portanto num mecanismo de inflação dos #followfridays, em que todos os participantes vão aumentando o número de pessoas que referenciam para não assumirem os custos de ferir esta ou aquela susceptibilidade. Claro que assumem o custo de saturar toda a sua comunidade, mas esse é um custo mais difuso, menos identificável a princípio.
Nos #followfridays como na moeda, a inflação desvaloriza a divisa. Bem me lembro da emoção que foi quando se fez o primeiro ranking de #followfridays, neste mesmo blog. Hoje em dia, who cares? Por isso mesmo, estamos a chegar à fase do #followcrunch, em que muitas pessoas pura e simplesmente deixaram de participar no jogo: não fazendo #followfridays, evita-se o custo de excluir alguém, e também o de saturar a comunidade, o que compensa face ao rendimento decrescente da participação.
Há futuro para o #followfriday, ou irá este morrer após alguns meses de dominação twundial? Veremos se as tentativas de tornar o #followfriday mais qualificado, selectivo e fundamentado vingarão. Mas a vingar, terão sempre uma expressão muito menor que a do #followfriday maciço dos tempos áureos. É que dão trabalho, e isso é uma coisa de que os bons tuiteiros não gostam muito…














Só discordo da última frase, Vasco
Os “bons tuiteiros”, pelo menos os meus bons tuiteiros, trabalham imenso. Ou não se tinham revelado bons.
Vejo o Twitter como uma extraordinária ferramenta de criação de valor associada ao conhecimento. Nesse contexto, para mim o #followfriday foi quase logo desde o início um meio de poluir vários fluxos de informação com ruído desinteressante. Não pela ideia que a este conceito está subjacente mas sim pelo uso que os utilizadores dela fizeram.
#followfriday só faz sentido, na minha opinião, quando se indica uma ou duas pessoas a seguir num tweet e se justifica porquê. Na verdade, já havia esta utilização antes do #followfriday e mesmo em tweets sem a tag #followfriday. “Sigam esta pessoa porque é interessante”, “Sabiam que o museu X já está no twitter?”, etc
Como seria de esperar, #followfriday tornou-se numa forma de props, cumprimentos, troca de mimos entre redes de tuiteiros e também um acariciador de egos. Logo, a utilização esmagadora do #followfriday consistiu em tweets com essa hashtag e uma carrada de tuiteiros a seguir. Alguns até repetiam vários tweets de #followfriday com dezenas de contemplados neles. Para que serve isto? Serve apenas para o próprio despoletar algo noutros utilizadores mas não serve para nada para quem o segue. Rapidamente se percebeu que o facto de estarem ali aqueles utilizadores todos não quer dizer que sejam interessantes ou, se forem, não se sabe porquê. O twitter é um fluxo de informação enorme pelo que só merece atenção aquilo que é claro e correctamente comunicado. A forma como o #followfriday é usado serve para os próprios criarem alguma rede de proximidade mas não gera valor no seu fluxo e acaba por aborrecer.
O #followfriday tem para mim valor se me indicarem pessoas que eu possa ter interesse em seguir e me disserem porquê, seja em tweets com ou sem essa hashtag, seja em que dia da semana for. Este conceito nunca morrerá. O MassFollowFriday dos primeiros tempos parece estar a definhar e, acrescento eu, felizmente.
PS: Já agora, um exemplo pessoal neste contexto, feito em 17 de Abril
http://twitter.com/rpOliveira/status/1543744710