
9 anos de diferença entre a primeira edição do Ponto Media (esquerda) e o aspecto actual
O blog Ponto Media, do jornalista António Granado, cumpriu 9 anos de vida no último dia 2 de Janeiro. É uma das principais referências do estudo do jornalismo em Portugal, seguindo com atenção os desenvolvimentos da indústria dos media, mas também da Internet e das tecnologias ligadas à informação.
Em pequena entrevista ao Diário2 António Granado expõe os planos para o décimo ano de publicação: alterações ao nível do aspecto.
P: Qual é a principal lição aprendida com o teu blog, ao cabo destes 9 anos?
R: Um blog é um excelente espaço de organização pessoal.
P: Tens uma explicação para o facto de tão poucos jornalistas em Portugal
terem blogs?
R: A maioria dos jornalistas ainda não percebeu a importância dos blogs como espaço independente de publicação, como lugar de organização de ideias, como sítio que ajuda a estabelecer reputação, que é o maior activo de um jornalista.
P: Enquanto espaço propício à reflexão e à escrita longa, os blogs têm,
terão, um papel de resistência num mundo de comunicação com tendência
para se fragmentar em pequenas mensagens?
R: Acho que os blogs resistirão como espaço autónomo de publicação. Nem tudo cabe em 140 caracteres e, por isso, os blogs não perderão o seu papel com espaços gratuitos de publicação online.
P: Quais os planos para o PontoMedia em 2010? E em 2011?
R: Em 2010, penso mexer mais uma vez no layout. Quanto a 2011, é cedo de mais para fazer planos…
Um blog histórico
O Ponto Media começou como um “Weblog sobre media em português. Com ligações para artigos interessantes e para estórias de jornalismo e jornalistas. De segunda a sexta“. Estava, então, mais perto da narrativa do magazine, ou da newsletter, desde logo pela periodicidade certa, semanal. Ainda não existiam motores editoriais em 2001 e o António usava um dos editores de HTML da moda, transferindo depois os ficheiros para o blog.
Profética, a nota que podemos ainda ler no topo do primeiro número, ou post: “IMPORTANTE – Muitas publicações não mantêm os seus artigos “on-line” mais do que alguns dias, pelo que muitos destes “links” — que na altura da sua criação estavam activos — poderão já estar desactualizados“.
Efectivamente… Dos 29 links constantes desse artigo da semana de 8 de Janeiro de 2000, 22 despareceram e hoje estão acessíveis apenas 7. Os sites que honram o seu passado são a Time, o New York Times (sem surpresa…), o Guardian (um dossiê actualizado ao longo deste tempo, última entrada em Maio de 2009, notável!) e o Washington Monthly. O próprio Público, onde António Granado trabalhava e continua, e o Expresso, onde eu estava à época, deixaram os seus arquivos morrer.
Durante os primeiros 4 anos o Ponto Media manteve o mesmo formato magazinesco, com páginas semanais, actualizadas de segunda a sexta. Em Julho de 2005, a blogosfera portuguesa estava no pico da efeverscência, o António Granado mudou para o WordPress, sistema que mantém até hoje.
Ao longo dos tempos, espelhando fielmente as tendências da publicação individual na web social, Granado tem vindo a reduzir o tamanho dos artigos, hoje muitas vezes simples apontadores. Como leitor, gostaria de ter mais vezes a opinião do António, mas a mais valia do Ponto Media não é afectada: continua a ser das principais referências do jornalismo, tanto para profissionais como para estudantes.
















