Gostaria de fazer um pequeno exercício com todos: deixem-me levar-vos numa pequena viagem. É um dia primaveril, cheio de sol, estão a caminhar numa rua cheia de gente e estão a sentir-se estupendamente bem. Toda a gente à vossa volta é simpática e, de algum modo, vocês identificam-se com essas pessoas por uma razão ou por outra. De repente param em frente a uma montra para apreciar um relógio que está numa montra. Uma pessoa que não conhecem pára ao vosso lado a admirar exactamente o mesmo relógio. Vocês e essa pessoa começam a trocar impressões sobre o relógio, depois sobre o tempo, sobre a cidade, sobre as pessoas que vos rodeiam. Acabam de encontrar uma pessoa com interesses, à partida, iguais ao vosso e decidem ir tomar um café. Vocês trocam os vossos contactos com essa pessoa [inserir qualquer música de um filme de terror dos anos 50 aqui]
No preciso momento em que aquele estranho recebe os vossos contactos, sem qualquer tipo de aviso, saca de uma mala (que aparece assim do nada como por magia) e começa a tentar vender-vos uma réplica falsa daquele relógio. Quando o faz nem sequer vos trata pelo vosso nome, bem pior, chama-vos “meu amigo”(mesmo que sejam uma mulher).
O que fariam numa situação destas? Eu sei o que faria – eu ficaria perplexo. E depois, bastante chateado. Levantava-me de imediato, abandonava o café onde estava, apagava os contactos daquela pessoa e contaria esta história aos meus amigos.
Se está a ler este post e não vê nada de errado com este cenário e, mais ainda, seria das pessoas que ficaria e até compraria o relógio agora é a altura de deixar de ler este post. A sério!!
Ainda por aqui? Muito bem!
Agora pergunto-me:
Porque é que haveria de ser diferente no Twitter?
Quando começo a seguir uma pessoa no Twitter, fora das minhas relações pessoais, é porque acho essa pessoa interessante e agradável. Quero ver a informação que manda para a sua timeline e de tempos a tempos trocar impressões com essa pessoa. Nada mais. Seguir uma pessoa é um elogio, na minha opinião, que deveria ser recebido com respeito.
Receber uma auto-DM, assim que se começa a seguir alguém no Twitter é como ir a um primeiro encontro com uma pessoa e, ao final da noite, essa pessoa querer uma cópia das chaves lá de casa. É demasiado, e demasiado rápido e de muito mau gosto.
Não vou sequer discutir se existem boas ou más auto-DMs. Isso para mim nem sequer é uma discussão. Tentar vender-me, no início de um relacionamento, um programa de seguidores, dar-me um “presente exclusivo”, a hipótese de ganhar milhões sem mexer uma palha de um dia para o outro, forçar-me a ir a um blog ou website qualquer ou, o cúmulo, que eu faça parte de uma Tribo ou Máfia é tudo lixo para mim.
A mensagem típica “Estou ansioso por saber mais sobre si meu querido seguidor e entretanto vá aqui ver este website” (uma vez mais ignorando se o tal seguidor é mesmo um seguidor ou seguidora), é na minha opinião tão má quanto todas as outras, ou pior: Cria em mim a mesma espécie de náusea que sinto às segundas-feiras da ressaca de 3 noites sem dormir e a curtir em Barcelona.
A única boa auto-DM é aquela que não existe!
E agora que leram isto, alguns de vós sabem porque é que vos deixei de seguir.
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Post originalmente publicado em inglês por Fernando Fonseca aqui.
O post original foi referenciado no Twitter por: TwitterTips, TwiterHelper, TwitterBulletin e TwitterStart
Data
16 Setembro 09 16:30
Autor
Fernando Fonseca
Fernando Fonseca
Estratega, sound designer e produtor de música electrónica, Fernando Fonseca anda na web desde que a web apareceu e mantem o blog The Home of Zargon e recentemente lançou o blog SoMeOps dedicado às redes sociais em Português. É também um dos responsáveis da netlabel PublicSpaces Lab
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