A popularidade que o Twitter conquistou atrai um conjunto de pessoas com intenções marcadamente diferentes. Aqueles que apenas vêm ver e não ficam muito tempo, os que partilham a sua vida com os seguidores e criam verdadeiros grupos, comunidades e mesmo amizades. Temos ainda os mais descomprometidos ou os que o usam apenas como mais um meio para difundirem feeds de outras plataformas e os completamente interessados que vêm para a comunidade apenas com um objectivo. (não referi todos os perfis de utilizadores mas a intenção também não passa por aí).
Dois grandes grupos de utilizadores desta plataforma são os jornalistas e, mais recentemente, os políticos. Enquanto que os primeiros viram na plataforma uma fonte de informação e foram ficando cativados pela possibilidade de uma catarse de opiniões reprimidas e de comunicação entre seguidores; os segundos chegam ao Twitter com um objectivo bem definido: “politicar”.
Por “politicar” aqui refiro-me a toda a actividade de defesa e de divulgação de ideias e politicas de trocas de argumentos e de opiniões. Com o aproximar de duas importantes eleições são cada vez mais o número de políticos militantes que chegam à plataforma. Para além de políticos em nome individual temos ainda perfis de partidos e de campanhas. A utilização que estes fazem da plataforma nem sempre é mais adequada levando a que os seus objectivos de “angariar seguidores para a causa”, vulgo, votos funcionem de modo inverso. As comunidades virtuais gozam do estatuto de “inteligência colectiva” e por várias vezes já mostraram que não gostam que outsiders as tentem manipular. Por isso aqui ficam algumas sugestões para políticos e uma boa utilização do twitter.
O twitter NÃO é um megafone de campanha, isto é, não se limitem a usar o twitter para divulgar as mensagens formatadas para uma campanha politica nos meios tradicionais. O grande erro dos perfis criados para campanhas e candidatos tem sido o limitar-se a difundir informação da campanha pré-formatada para campanhas de rua. Ataques gratuitos e “politica de chinelo” também não são bem tolerados pela comunidade que rapidamente os poderá criticar, repudiar e divulgar para uma rede bem mais vasta que a da mensagem inicial.
O twitter também NÃO é um púlpito onde podem subir e falar para uma multidão e influencia-la. Muito pelo contrário qualquer tentativa de impor uma ideia e “verdade” será considerada um insulto à inteligência da rede e rapidamente terá o efeito contrário ao pretendido. Mas a questão da utilização como púlpito ganha contorno mais preocupantes quando juntarmos o autismo dos políticos, isto é, a ideia de estar na plataforma apenas para falar e não para ouvir.
As grandes críticas a alguns perfis referem-se ao facto de não seguirem ninguém e apenas procurarem divulgar informação. Ou quando seguem não haver qualquer tipo de resposta quando interpelados por alguém. A rede exige interactividade e proximidade. Não chega dizer-se próximo dos cidadão por estar no twitter é preciso efectivamente estar, escutar e responder. Isto leva-nos à grande vantagem da plataforma para os políticos e para os assessores e publicitários de campanha. Falo da capacidade quase instantânea de ter um feedback a uma ideia ou a uma política. Observar e aprender, deve ser deve ser uma regra que poderá trazer muito bons resultados em reajustes a ideias e sobretudo a mensagens. Ser seguido e seguir é outra regra importante para uma boa utilização desta comunidade. Os utilizadores quando seguem alguém esperam reciprocidade, esperam interactividade, ser incluídos no grupo, na comunidade e ter efectivamente uma voz, uma ideia e uma opinião. Dar para receber, é ainda outra ideia a reter. Não usar a plataforma apenas como um canal político mas mostrar também o lado pessoal, não o intimo mas mostrar a humanidade por detrás da capa política. Partilhar gostos musicais, literários, culturais e gastronómicos dá mais autenticidade à utilização da plataforma, dá uma maior inclusão na comunidade e dá uma maior humanidade ao lado político.
Chegar ao twitter, recolher seguidores, começar a passar mensagens politicas pré-formatadas, não responder, não seguir, não interagir, tentar impor ideias, não observar a comunidade e responder de acordo, são tudo más politicas que um politico poderá ter nesta plataforma.








