A expectativa foi grande. Ah sim, todos (e não só os brasileiros) esperavam ver o Brasil disputando a final deste mundial. Pelo menos tudo indicava que isso fosse acontecer. Mas não aconteceu…
O que houve então?
Se perguntarmos aos brasileiros, a resposta estará na ponta da língua: A culpa é do Dunga e do Felipe Melo. Aos engraçadinhos, ainda resta responder: Dunga? Que nada! A culpa é do Mick Jagger, aquele azarão!
Não. Na minha humilde opinião de torcedor brasileiro, a culpa não foi de Dunga, nem de Felipe Melo e, aparentemente nem do Mick Jagger (!!). A culpa foi do nosso histórico e da excelente seleção holandesa que soube tirar proveito do nosso ponto fraco: o emocional.
Vamos aos detalhes:
A seleção de Dunga
O técnico Dunga jamais havia sido treinador na vida. De fato foi um risco que a CBF correu ao chamá-lo para dirigir a seleção brasileira em 2006. No entanto deu certo. Sim! Dunga renovou a nossa seleção, trouxe um espírito mais guerreiro e disciplinado à equipe e conseguiu criar o que há tempos não se via na seleção: uma equipe trabalhando coletivamente. O resultado disso foi apenas 6 derrotas sofridas em 4 anos de sua gestão como treinador. Isso mesmo, apenas 6 derrotas (incluindo a derrota para Holanda)! Neste tempo, ganhamos tudo: Copa América (aplicando um sonoro e gostoso 3 a 0 em nosso maior rival, a Argentina; vencemos a Copa das Confederações e ficamos em primeiro lugar, com uma das melhores campanhas brasileiras nas Eliminatórias Sul-americanas (todos viram nesta Copa o quão estão fortes as equipes deste lado da América). Para falarmos de resultados isolados: Vencemos duas vezes a então campeã mundial Itália com um duplo 2×0 (2009); vencemos a Argentina por 3×1 (2009) dentro de Buenos Aires (feito quase impossível de ser alcançado) e aplicamos uma surpreendente goleada de 6×2 nos portugueses (com a presença de Cristiano Ronaldo (2008).
Como podem ver, a seleção estava bem arrumada e competitiva. Desenvolvemos poderosas armas, como as jogadas aéreas e os contra-ataques quase perfeitos. Era difícil bater este time. No entanto tínhamos um ponto fraco. Um ponto fraco que foi testado algumas vezes nas eliminatórias por seleções menos expressivas e que acabaram não tendo exito. Mas estava lá o problema: o emocional. Empatamos diversas partidas fáceis dentro de estádios brasileiros. O que era para ser vitória garantida, virava drama. Mas por que? Por causa do emocional.
A seleção brasileira sempre foi muito cobrada. É a seleção mais vitoriosa das copas, detentora de muitos recordes e de jogadores acima de média. Talento nunca nos faltou. O que nos faltou foi preparação psicológica para lidar com as adversidades. Quando a seleção foi bem preparada, nós éramos imbatíveis (1994 e 2002). Agora em 1998 pudemos ver este ponto fraco se mostrando ao mundo, como na derrota para a Noruega na primeira fase da Copa e depois a derrota na final por 3×0 para a França. Em 2006, a mesma França eliminou o Brasil nas quartas. Fez um gol no segundo tempo e a seleção brasileira se perdeu em campo. Não sabia mais quem era e o que fazer. Resultado: desclassificação de uma seleção que seguramente tinha os melhores jogadores da Copa, e no entanto causou uma grande decepção ao povo brasileiro.
Em 2010 a seleção não tinha tantos jogadores acima da média, mas pelo menos tinha uma equipe bem entrosada e eficaz. Mas nada disso adianta se não existe o equilíbrio emocional. Chega o jogo contra a Holanda e, depois de um esperançoso primeiro tempo brasileiro, a Holanda (que já vinha testando o emocional do Brasil deste o início da partida), consegue empatar e atingir o seu objetivo: desequilibrar o emocional da seleção. O técnico certamente buscava isso, pois via nisto a única maneira de derrotar a poderosa seleção brasileira, já até cotada ao título. E deu certo. Os jogadores brasileiros perderam a cabeça, se perderam em campo e abriram espaço para que a Holanda sufocasse e chegasse ao segundo e decisivo gol.
Mas por que isso aconteceu?
Historicamente a seleção tem problemas quando se vê ameaçada. Dificilmente consegue virar um jogo a seu favor (a grande exceção foi a conquista de Copa das Confederações contra os EUA). Principalmente quando este jogo tem muita importância, como os jogos da Copa. E pra piorar, o técnico Dunga sempre foi um jogador desequilibrado emocionalmente em campo. E isso não mudou quando virou treinador. Naturalmente o seu nervosismo e ansiedade eram passados aos jogadores por osmose. E o que se via em campo era um reflexo do temperamento do treinador.
O tão criticado Felipe Melo, que é um ótimo jogador, é como se fosse o Dunga em campo. Sempre nervoso e pronto pra brigar. E o Dunga adorava o Melo (por que será, né?). Contra a Holanda, Felipe Melo reagiu aos seus instintos e acabou prejudicando a seleção, que já se encontrava numa situação difícil.
Por mais que os brasileiros (hoje muito chateados com a inesperada desclassificação brasileira da Copa) culpem o Dunga e o Felipe Melo, o que é natural frente a uma derrota, ou seja, encontrar os bodes-espiatórios, se formos pensar com calma sabemos que eles não eram os problemas. Era algo muito mais profundo e que só um intenso trabalho psicológico dentro dos próximos 4 anos pode nos dar a chance de voltarmos a conquistar a sonhada taça do mundo. E em 2014 o teste será maior ainda, afinal a Copa será no Brasil.
Como diz o Galvão Bueno: Aja Coração!!
Quer saber? CABA BOCA, GALVÃO!












