O poder da rede: contra-ataque do Sì Berlusconi Day

avatarFausto Ferreira 17/11/2009

sibday2Depois da adesão que está a ter o , eis que surge o Sì Berlusconi Day. Enquanto que o primeiro tem já mais de 275 mil fãs no Facebook, estendendo-se a 13 países e metrópoles tão diversas como Buenos Aires, New York ou Paris, a manifestação a favor surgiu apenas ontem (passado mais de um mês da iniciativa original).

Esta manifestação surgiu também na rede mas de uma forma muito diferente da anterior.

É de recordar que o No B Day (como agora é abreviado) foi uma iniciativa de 17 bloggers que através do Facebook foram angariando fãs e organizadores locais e internacionais (para informação complementar ver aqui). Ora, o Sì B Day foi proposto inicialmente por Giorgio Stracquadanio, um deputado do partido de (Povo da Liberdade). Este deputado está também presente no Governo como conselheiro político da Ministra da Instrução, Universidades e Investigação e como ghostwriter do próprio primeiro ministro. Giorgio Stracquadanio dirige um jornal político online ligado ao partido e foi aí que escreveu o seu apelo a uma manifestação  pró-Berlusconi.

O apelo é também subscrito por outro deputado, Mario Valducci que é também responsável local pelo partido na área de Milão e presidente do Clube da Liberdade, uma associação que apoia Berlusconi e representa a sua tendência dentro do partido.

“Soberania popular” contra “magistratura politizada”

Assim, esta manifestação tem um peso político muito maior e foi marcada precisamente para o mesmo local e para a mesma data do No B Day. Enquanto que a No B Day foi apenas apoiada a posteriori por dois partidos do centro-esquerda e esquerda (mas não pelo principal partido da oposição), a Si B Day é organizada por dois destacados deputados do partido do governo.

No entanto, segundo o apelo disponível online (ainda só em italiano) o objectivo não é uma contra-manifestação: é «uma manifestação nacional de apoio a Silvio Berlusconi, para defender liberdade e democracia». Ao longo de todo o apelo repetem-se as críticas à «magistratura politizada» e Valducci deu uma entrevista ao jornal Corriere dela Sera em que defende que é necessária «uma lei imediata que não dê impunidade mas que diga claramente que a magistratura não pode substituir-se à soberania popular». Defende ainda que «a política deve ter a coragem de reagir com os meios da política ou aceitar que sejam os magistrados a governar Itália».

Os organizadores do No B Day consideram que a contra-manifestação é uma provocação e que pode levar a uma «situação díficil de gerir» (ainda que tenham pedido a todos uma manifestação pacífica é imprevisível o que acontecerá). Das reacções dos fãs do grupo Facebook do No B Day destacam-se o medo que os meios de comunicação social (principalmente a TV controlada directa ou indirectamente pelo chefe de Estado) passem só a noticiar o Sì B Day.

A menos de um mês do dia 5 de Dezembro é difícil fazer prognósticos sobre o que acontecerá e sobre a real adesão de cada manifestação.

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Data
17 Novembro 09 09:00

Autor
Fausto Ferreira
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é investigador na área da Robótica. Nos tempos livres interessa-se por jornalismo, comunicação e cultura. Colabora com a imprensa regional em críticas de música e teatro. Recentemente tornou-se Twitterholic.


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