Há já algum tempo, deparei-me com este post na Internet, que me aguçou a curiosidade para o caso português. Basicamente, o texto fala de um acordo entre o Governo Norte Americano e a Google para que a empresa privada armazene e administre documentos públicos, além de fornecer o serviço de alojamento nos seus servidores para um “governo na nuvem”.

Para quem não está a par das últimas tendências da Internet, a cloud (nuvem) é o nome dado à forma de utilizar serviços em rede para as mais variadas tarefas, em vez de se ter programas instalados localmente no nosso computador, é como utilizar um servidor central com software e o computador pessoal como um simples terminal.
Neste caso concreto, a solução passará pela disponibilização do Google Apps, conjunto de software que pode substituir o Office e os conhecidos Word, Excel e Power Point, para criar e gerir ficheiros de texto, apresentações e gráficos, ou permitir armazenar outros online.
O maior problema desta novidade não é a segurança dos documentos colocados na Internet, já existem dados de igual importância por toda a rede, caso dos bancos ou finanças, e espera-se que os sistemas de segurança de tais sites sejam eficazes contra intrusos, mas a entrega voluntária dos dados privados de cada cidadão a uma empresa que (como todas) tem por objectivo o lucro.
No caso de Portugal não existe, por enquanto, um acordo semelhante e pelas minhas pesquisas, apenas o Ministério da Administração Interna, está a utilizar o Google Apps, que não considero um caso grave. Para criar uma conta, basta ter um e-mail do domínio (alguem@mai.gov.pt) e qualquer funcionário pode fazê-lo para trocar simples textos com colegas ou apresentações com amigos (quem nunca utilizou o computador do trabalho para enviar umas animações engraçadas, que atire a primeira pedra).
Mas durante a pesquisa que fiz para saber até que ponto o nosso Governo estaria a utilizar a Google, deparei-me com outra questão, dos 138 domínios pertencentes ao Governo e listados no Ceger – Centro de Gestão da Rede Informática do Governo – existe algum desgoverno na sua administração e gerência. Se por um lado há um órgão encarregue de centralizar os registos .gov.pt, por outro não existe grande coerência nos servidores utilizados para esses mesmos domínios ou nos responsáveis pela sua administração.
Não verifiquei todos os 138 domínios, fiquei pelos mais importantes, como por exemplo os ministérios, mas sem chegar ao extremo de cada um utilizar um servidor diferente, são muitos os serviços utilizados para alojar sites e e-mails. Desde servidores pertencentes ao próprio estado, como o Ministério de Estado e das Finanças, que utiliza o Instituto de Informática, até uma grande variedade de empresas particulares, nacionais e estrangeiras, chegando à tecnologia utilizada pelo próprio governo.gov.pt, distribuido pela Akamai Technologies, uma empresa dos EUA, que (coincidência ou não) também é responsável por propagar o site da Casa Branca.








O mundo da cloud não tira só partido do browser. A cloud pode funcionar num paradigma Software + Services (S+S), onde podemos utilizar programas desktop (ex: Excel e Word) que manipulam dados e ficheiros armazenados na nuvem (ex: SharePoint/BPOS).
Conversa de chavões da treta. A nuvem não é mais que aplicações a correr em clusters, big fucking deal…