O Twitter tem um grande impacto na forma como nos expressamos. Esqueçam os críticos que acusam os twitteiros de serem fúteis, narcisistas e obcecados com comida. O Twitter é sobre partilhar os pequenos momentos que compõem as nossas vidas, e Frank Kelly está a tentar fazer um filme a partir desses estilhaços da nossa existência.
Sincronia
Kelly é um realizador independente da Irlanda, com duas curtas metragens no seu currículo. O seu último projecto gira à volta do Twitter: ele está a pedir a 140 voluntários para filmarem ao mesmo tempo o que estarão a fazer num determinado momento. E como é que ele está a fazer isto? Através do Twitter.
Eu gosto da natureza conveniente do site e como a informação, através de mensagens concisas, pode ser comunicada imediatamente a grupos. Inspirou o tema da ligação. Daí comecei a construir uma estrutura à volta da ideia, usando o número 140 como deixa.
Houve muitos críticos ao site, dizendo que era uma perda de tempo. Queria ver se podia usá-lo como uma ferramenta em vez de uma distracção, e se podia usá-lo para unir pessoas para criar algo de tangível e valioso, uma obra de arte.
O grau de sincronia e partilha nas comunicações na web cresceu de forma tremenda. Mindcasting e lifestreaming são conceitos cada vez mais comuns para os utilizadores. Perguntei-lhe onde é que isto nos iria levar. Ele disse que nos queria levar lá para fora.
Não tenho a certeza. Por mim, quero levar o 140 mais além, quero que se torne mais do que um filme mas uma experiência de vida, de forma que todas as pessoas envolvidas possam levá-la para a sua comunidade, e usar essa experiência para se ligar aos outros participantes, ao seu ambiente e às pessoas em sua volta
Mas ele tem algumas preocupações.
Preocupa-me que as pessoas possam ser engolidas pela sua existência online, por isso é que a essência deste projecto é voltar lá para fora e experimentar e pensar sobre a vida, a vida real, e a nossa ligação a ela, ao nosso planeta, e uns aos outros. Não é uma peça ambiental, é uma peça sobre lembrar-mo-nos de quem somos. Espero que seja isso que a internet faça, não para servir como uma distração da vida mas para ser uma ferramenta para elevar a vida.
Mais pequeno não, maior
Frank Kelly tem retirado algumas vantagens das redes sociais na web, apesar de dizer que não têm um grande impacto na sua vida pessoal. Mas profissionalmente tem sido recompensador.
Como um cineasta independente que não tem verba e ainda está a tentar entrar na indústria, a internet é uma ferramenta essencial para continuar a criar trabalho, e conectar-me a pessoas com ideias semelhantes. Ajudou-me a criar um canal para a minha criatividade.
Tem-me ajudado imenso, e claramente influenciou-me para ir numa direcção que nunca imaginei ir, ou ser capaz de entrar – a ideia de que conseguiria coord enar 140 cineastas do mundo inteiro tão depressa, e depois sincronizá-los para filmarem juntos teria sido impossível para mim há 10 anos atrás.
E eles são mesmo do mundo inteiro. Na altura em que o Frank respondeuàs minhas perguntas ele estava apenas a alguns voluntários de distância dos 140 necessários. Perguntei-lhe se o mundo estava a ficar mais pequeno, e se um mundo mais pequeno seria um mundo melhor.
Não acho que o mundo esteja a ficar mais pequeno, penso que está maior, há mais oportunidades para viajar, fazer ligações, para fazer e ver coisas que não podíamos há algumas gerações atrás. Quando os meus pais eram miúdos, as viagens internacionais eram para os ricos. Agora não, qualquer pessoa pode ir a qualquer lado por muito pouco. O mundo abriu-se para todos, quando antes o nosso mundo era mais pequeno, era a nossa cidade, agora pode ser onde nós quisermos.
No seu ponto de vista, não faz a mínima diferença de onde os seus voluntários vêm.
Como seres humanos somos iguais, partilhamos experiências- todos sentimos dor e amor e tristeza etc. Queremos as mesmas coisas: felicidade, carinho, amor, comida, roupa e o mesmo para as nossas crianças, isso nunca mudou nem nunca mudará. Partilhamos semelhanças universais. E a tecnologia ou o facto de que podemos comunicar mais depressa agora não mudará isso
Talvez haja algum receio de que, à medida que estamos mais ligados, nos tornemos cada vez mais parecidos uns com os outros, e comecemos a perder a nossa cultura, a nossa identidade. Eu não acho que isso vá acontecer, e não vejo que partilhar a nossa individualidade seja algo de mau também. A internet permitiu-nos ter mais experiências, partilhar mais, ver mais, ter noção de mais e celebrar a nossa diversidade. Acho que deitou abaixo muitas barreiras que a distância, geografia, raça, religião e cultura levantaram. Ajudou-nos a educarmos a nós mesmos e a perceber melhor os nossos vizinhos.
E ele conclui bastante bem:
No final do dia somos todos humanos, precisamos de estar ligados e precisamos de partilhar a nossa existência neste planeta.
Os 140 cineastas vão estar ligados e a partilhar no próxino dia 21 de Junho, às 20 horas GMT.
Frank Kelly tem um blog www.frankkelly.blogspot.com sobre o seu trabalho como realizador; frankasides.blogspot.com é sobre outros trabalhos e as suas ideias, e eyethroughalens.blogspot.com é sobre as suas fotgrafias. Ele também tem um podcast no iTunes pela sua empresa www.palestoneproductions.com. E, claro, está no Twitter.

















Já existem mais informações sobre esse projecto?
A nível jornalístico existe algum projecto semelhante? Li algumas coisas sobre JournalistTweets, já se encontra a funcionar?
Parabéns pelo artigo, muito bom como sempre.
Obrigada eu.
É uma grande falha, mas somente devido a este projecto final de curso me estou a interessar mais pelo Twitter e a investigar tudo o que posso sobre o tema. (Portanto, desculpem as muitas perguntas, tanto no blog como no Twitter).
Já agora, por curiosidade o que vai ser o Jornalist.as? Uma iniciativa como o JournalistTweets e o Muckrack mas em português?
Aproveitando a deixa… Cá vai mais uma pergunta: Continuo a debater-me com uma dúvida, numa das respostas do Paulo Querido a um dos posts do Certamente li o seguinte: “A comunicação é clara, a propaganda é escura”, onde se encaixa o Twitter então já que este pode ter uma função informativa e simultaneamente de propaganda?
Da conversa com o Alexandre no Twitter vim cimentar a minha ideia de que de facto depende do jornalista decidir se aceita ou não fazer publicidade seja ao que for no seu Twitter, pois uma vez que está tão exposto é o seu nome que será prejudicado… Ainda assim e depois de ler tantos artigos sobre o modo como se relacionam o Twitter, o Jornalismo e a Publicidade sinto algumas dúvidas ainda sobre se será necessário que exista regulação no Twitter, ou se a auto-regulação será suficiente. =\
Bem, vou continuar a pesquisar mais sobre o Twitter.
Obrigada pela atenção (e pelas respostas)…
Olá Joana,
o Frank Kelly estava muito perto dos 140 participantes há dias (faltavam 2), e ficou de dar notícias assim que houvesse novidades.
A nível jornalístico não estou a ver nenhum projecto paralelo, este é um evento único com um objectivo definido que pede uma colaboração expressa dos participantes, não conheço nada que tenha estas características em jornalismo (ou já há e não estou a ver).
O JournalistTweets está a funcionar já, mas funciona apenas como agregador de tweets de jornalistas de vários países, subordinados a algumas palavras chave relacionadas com o Jornalismo.
Obrigado