Um dos grandes paradigmas do jornalismo assenta na necessidade de informar com a maior brevidade possível. Se entendermos o jornalismo como a actualidade, teremos de ter em conta que a actualidade é o agora, o imediato, o instantâneo. A demora entre o acontecimento e a publicação da informação está nos vários processos de mediação. Entre a periodicidade do meio ou a necessidade da edição.
Até surgir a internet a rádio era o meio que se apresentava como o mais imediato. A internet oferece na mesma essa possibilidade mas não a limita apenas ao áudio. Se os meios permitem que a informação seja divulgada quase instantaneamente, resta a edição e a publicação como limitadores. Esse limite tem sido gradualmente reduzido pela redução dos dispositivos de recolha, edição e publicação de informação.
Com os dispositivos móveis surge um novo conceito de jornalista, o mobile journalist (jornalista móvel) também conhecido pelo acrónimo MOJO. A portabilidade dos meios digitais permite a recolha e tratamento de texto, audio e video no próprio local. A internet móvel permite o envio e mesmo a directa publicação da informação a partir dos dispositivos digitais móveis onde a informação foi tratada. Esta revolução técnologica equipa os jornalistas de modo a que apenas um jornalista recolhe trata e publica a informação no local de recolha diminuindo os processos de mediação e tornando quase instantanea a informação.
Mas se os jornalistas têm acesso a smartphones e PDAs com capacidades de portabilidade de tratamento e publicação da informação os leitores também. Isto vem reforçar o fim do webjornalismo (mesmo antes de se ter afirmado na sua totalidade) e vem destacar o “jornalismo digital”. Por jornalismo digital considero o jornalismo que é feito com recurso a meios digitais e que é difundido pelos meis digitais. Assim o conceito engloga o webjornalismo e todos o jornalismo de acesso móvel e digital.
Mas o jornalismo e os jornais não têm sido os principais impulsionadores da portabilidade, do acesso móvel a informação nem os principais impulsionadores de mecanismo de recolha e tratamento de informação digital móvel. Ao contrário do que seria de esperar diga-se. É nas redes sociais, sobretudo as de microblogging ou de “status” que encontramos o fervilhar de aplicações, serviços e complementos sobretudo móveis. Se olharmos para o Twitter vemos que o seu grande sucesso se deve a um conjunto de aplicações móveis que surgiam e surgem usando a API livre do serviço. Para todos os dispositivos e plataformas há variadas aplicações para aceder e publicar, texto, fotos, video, links directamente do dispositivo móvel.
As experiências a que temos assistido de jornalismo móvel (MOJO) recorrem a aplicações criadas para as redes sociais e que são adpatadas num sistema de blog ao jornal. É de estranhar mas é verdade que o jornalismo móvel pertence aos cidadãos e não aos jornais.
São notórias as potencialidades e capacidades de aplicação ao jornalismo. Foram já vários os exemplos incluindo em Portugal que foram bem sucedidos com algumas reservas fáceis de resolver. Reparemos na possibilidade de recolha de informação e publicação instantanea que se consegue com apenas uma PDA numa rede social. Tomemos como exemplo o Facebook como rede social e plataforma receptora e um HTC HD2 como dispositivo móvel. Recorrendo ao software HTC SENSE instantaneamente se tira uma fotografia e se publica no perfil do facebook. A legenda dessa mesma fotografia poderá ser imediatamente colocada usando o software FACEBOOK criado pela microsoft para os dispositivos móveis que correm windows mobile ou pelo software FIM criado pela mosko, entre outros, ambos gratuitos. Qualquer um dos dois programas anteriores (novamente para nomear apenas alguns) podem actualizar o perfil com texto. No caso do vídeo o software gráfico do HTC HD2, o HTC SENSE automáticamente publica qualquer video directamente no youtube, serviço esque que pode ser programado para colocar um link e o respectivo video no perfil do Facebook mal seja feito o upload. Se pertendermos enviar imagens (video) em directo também o podemos fazer recorrendo por exemplo ao serviço Bambuser que nos oferece uma aplicação gratuita para a PDA que irá transmitir em live streaming e reproduzir não só na página do serviço mas coloca um link e o video em directo no Facebook.
Todas estas funcionalidades são vitais para o jornalismo e sem dúvida que iriam enriquecer a informação e a velocidade com que a informação pode ser transmitida. Estamos a falar de um tratamento de informação simples, imediato e que envolve apenas uma simples PDA. Poderemos juntar outros dispositivos como um computador portátil para edição de video ou uma câmara ou máquina fotográfica. No entanto a qualidade de recolha de imagem dos dispositivos móveis é cada vez maior. No caso do HTC HD2 as fotos e mesmo os videos têm qualidade suficiente para tratamento jornalistico impresso e televisivo.
Resta criar aplicações e serviços ou criar aplicações que usem os serviços já existentes mas que integrem e interajam com os jornais e que permitam uma publicação com mediação reduzida directamente do local onde a notícia acontece.
As redes socais estão a indicar o futuro da informação e do jornalismo em vários niveis a publicação móvel é apenas mais um. Em breve falaremos de outros exemplos que o jornalismo deve adoptar…







as redes sociais realmete são muito uteis