Impacto das redes sociais: o exemplo do No Berlusconi Day

avatarFausto Ferreira 29/10/2009

Depois do relativo sucesso e de todo o buzz que houve com os «casos» Maitê Proença e Pingo Doce, chega-nos mais um exemplo do poder viral da rede, desta vez de Itália. O é uma manifestação marcada para dia 5 de Dezembro para Roma que pede a demissão do actual primeiro ministro italiano. Em Itália, não há semana que não haja uma manifestação ou uma greve mas o que importa aqui salientar é como nasceu e se desenvolveu esta.
no-berlusconi-day No dia 9 de Outubro, 17 bloggers lançam o apelo e criam o grupo “Uma manifestação nacional para pedir a demissão de Berlusconi” no Facebook. Após 3 dias criam um blogue no WordPress que serve de apoio ao grupo do Facebook. Passados outros 2 dias, criam uma conta no Twitter. Quando foi criada a conta no Twitter, o número de fãs no Facebook já rondava os 50 mil (em 5 dias).
Actualmente, e passados 20 dias, o número situa-se nos 150 mil fãs. No blogue têm apenas cerca de 20 mil hits e já no Twitter o número reduz-se para 119 followers. Destes números, vê-se claramente a supremacia do Facebook em relação ao blogue e principalmente ao Twitter. Isto é facilmente explicável já que em Itália enquanto o Facebook é extremamente popular, o Twitter é muito menos conhecido.
O Facebook é muito usado quer por individuais quer por grupos, instituições públicas e privadas para marcar eventos ou partilhar links de notícias. Não é a primeira vez que vejo manifestações ou festas criadas e organizadas via Facebook mas nada com esta dimensão. Sobre o Twitter, a utilização é muito residual e não há a interacção e o debate gerados em Portugal. Exemplo:  no estudo European Parliament Digital Trends da agência Fleishman Hillard conclui-se que enquanto 54% dos deputados europeus italianos usam Facebook e Myspace apenas 9% admitiram usar o Twitter. Mas sobre o Twitter em Itália haverá mais tarde um post mais alargado.
Voltando ao desenvolvimento do No Day, os organizadores começaram a pedir no grupo do Facebook colaboradores para organizar transportes de cada região de Itália. Neste momento estão criados 21 grupos locais e também existem já 4 grupos estrangeiros (Bruxelas, Madrid, Barcelona, Londres). Apesar de o apelo dizer que é uma manifestação nacional, pacífica e apartidária, esta terça feira, em conferência de imprensa conjunta, os líderes do partido de centro-esquerda Italia dei Valori e do partido comunista Rifondazione Comunista deram o seu apoio à iniciativa. Pediram ainda a adesão de toda a oposição e explicitamente do maior partido de centro-esquerda (Partido Democratico), cujo recém-eleito líder recusou ontem justificando que faltou uma convergência a priori.
Independentemente da opinião que se possa ter, o que importa aqui salientar é adesão que teve uma iniciativa que partiu de 17 pessoas e que seguramente sem a presença de uma rede como o Facebook nunca teria tido o sucesso que está a ter e a adesão de dois partidos políticos (sendo que um deles é o 2º maior de centro-esquerda). Prova-se ainda o carácter mobilizador da rede para questões políticas ou cívicas (tal como já tinha acontecido com as eleições no Irão por exemplo). Sem dúvida, 150 mil pessoas é muito mais do que os 10 mil do grupo contra Maitê Proença ou dos 5 mil do grupo contra o anúncio do Pingo Doce.

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Data
29 Outubro 09 09:00

Autor
Fausto Ferreira
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é investigador na área da Robótica. Nos tempos livres interessa-se por jornalismo, comunicação e cultura. Colabora com a imprensa regional em críticas de música e teatro. Recentemente tornou-se Twitterholic.


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