Chegou uma nova estirpe do vírus da gripe. Com ela, gerou-se um fenómeno social planetário que, primeiramente, evoluiu em redes sociais como o Twitter, horas depois nos blogues e agora é analisado pelos média tradicionais.

Foto: jurvetson, via Flickr (http://www.flickr.com/photos/jurvetson/)
Adam Ostrow conferia ontem no Mashable que a cada hora eram escritos 10.000 tweets sobre a “gripe suína”. Ao longo de segunda-feira, nas quase 5.900 contas acompanhadas pelo Twitterportugal registou-se uma média de 575 tweets sobre o tema.
Alguns analistas levantam as seguintes questões em meios de comunicação social:
1. As redes sociais não estão promover a desinformação?
2. As autoridades não deviam ter um papel mais activo em plataformas como o Twitter?
3. Que credibilidade têm os comentários lançados por “anónimos” nas redes sociais?
4. O papel de gestão de informação dos jornalistas está a perder “mediatismo”?
Brennon Slattery da PC World e Evgeny Morozov da ForeignPolicy assinam as principais críticas à “socialização da má informação”. O primeiro refere: “this is a good example of why [Twitter is] headed in that wrong direction, because it’s just propagating fear amongst people as opposed to seeking actual solutions or key information”. Já Evgeny Morozov é contundente quanto à que deveria a acção das autoridades: “In moments like this, one is tempted to lament the death of broadcasting, for it seems that the information from expert sources — government, doctors, and the like – should probably be prioritized over everything else and have a higher chance of being seen that the information from the rest of one’s Twitter-feed, full of speculation, misinformation, and gossip”.
A “gripe suína” sucede a outras “pandemias” globais: gripe aviária, vírus do Nilo, crise dos nitrofuranos, encefalopatia espongiforme bovina, etc. Â natureza da comunicação social em hiperbolizar a má noticia, junta-se o nosso ADN cultural que valoriza cenários apocalípticos. É o caso do filme recente Sinais do Futuro, onde a humanidade enfrenta a extinção.
Com a massificação das plataformas conhecidas como redes sociais, a informação é divulgada de forma célere, por mais pessoas e a gestão não pode ser assumida pelas autoridades, empresas e meios de comunicação de forma leve e descomprometida. Os tempos são outros. O ritmo activo de há dois anos é o ritmo passivo nos nossos dias.
Há exemplos de boas práticas na divulgação de notícias filtradas na Web 2.0:
1. O Centers for Disease Control and Prevention, instituição estatal americana, divulga informação sobre a “gripe suína” através do perfil @CDCemergency
2. A HealthMap transmite informações através da e uma conta @healthmap
3. No Google Maps foi criado um registo das vitimas do vírus











Quem procura informação sobre a gripe suína no twitter ainda é mais idiota do que aqueles que lá a põem.
Alfredo Lopes, acabou de chamar idiota a quantas instituições dignas, como a World Health Organization (a Organização Mundial de Saúde), difundem informação séria e fidedigna no canal Twitter.
Nunca deixo de esboçar um sorriso ao ler opiniões idiotas.
Existe muita arrogância no comportamento da maioria dos jornalistas ao pensar que somente eles podem ter acesso às fontes de informação. Com a Internet, eles perderam esse monopólio: @CDCemergency e @healthmap estão colocando as informações diretamente para as pessoas no twitter. Os jornalistas já não detêm o poder da informação, ela circula livremente pela rede. A maioria dos jornalistas só sabe emitir – mas parecem incapazes de trocar informações em igualdade de condições com as pessoas comuns. Acreditam que são os únicos mortais habilitados para transmitir notícias. Assim, o twitter não funciona para a maioria dos jornalistas, pois interrompem o fluxo da rede: emissão ↔retorno. Qualquer um pode em questões de segundos checar uma notícia e os internautas fazem isso o tempo todo com incrível rapidez. Adicionei alguns jornalistas para seguir – recebo tantos updates deles que termino retirando-os da minha lista. Nenhum deles me adicionou em retorno. Não estão interessados em diálogo, nem se interessam por ninguém. Parece-me que os idiotas aqui não são os twitters!
Paulo Querido:
Penso que viver no passado é impossível de ser feito -já que não foi inventada ainda a máquina do tempo. Estar no twitter é moda, todos estão, isso não quer dizer nada. Nem estar no twitter muda a atitude que muitos jornalistas costumam ter, essa semana li bastante artigos escritos por jornalistas (do mundo todo) sobre o twitter e escrevi minha opiniao nesse espaço de leitor, espero que nao se ofenda por eu ter o poder de abrir minha boca aqui.
pois estava comentando esse tópico, quando se diz:
1. Evgeny Morozov: “Twitter-feed, full of speculation, misinformation, and gossip”.
E comentário abaixo:
2. “Alfredo Lopes, acabou de chamar idiota a quantas instituições dignas, como a World Health Organization (a Organização Mundial de Saúde), difundem informação séria e fidedigna no canal Twitter.”
Por favor, nao quero chamar ninguém de mal educado, estava só tentando explicar que jornalistas EMITEM mas nao existe TROCA de informações.
Escrevi isso porque muitos jornais estao enfrentando crise pela falta de leitores, e era sobre isso que estava a refletir.
Parabéns por ser tão bem informado, viver no presente e quem sabe até no futuro, estar tão bem informado sobre o fenômeno twitter e ser tão tolerante com a opinião alheia.
pode ser pancada minha, mas sempre achei um pouco esquisito estes surtos de “novas”doenças.
acho é que são deveras esquisitas. depois de tantos anos a lidar com os animais, temos as vacas loucas, a gripe da passarada, dos porcos…e isto com os cuidados tidos hoje em dia. e sobre o passado, quando o cuidado era zero ou muito perto disso? nem as mão se lavavam, temos como exemplo a propagação das infecções nos hospitais, que só depois de alguém notar que se lavassem as mãos entre doentes, as infecções diminuíam. presentemente, parece que se assiste ao contrário, ou seja, quanto mais cuidado mas problemas aparecem.
agora, das duas uma: ou antigamente nada era escrito e guardado, mesmo havendo este tipo de problemas, ou, alguma coisa está errada nos dias de hoje. só me lembro do antrax em nova york depois do 11 de setembro. afinal parece que não foi obra de terroristas…
Paulo Querido
Fiz faculdade de jornalismo e Ciências Sociais, transito um pouco entre essas duas profissões. Por exemplo, no momento vou cobrir 9th Global Travel and Tourism Summit -15-16 May. E sou casada com um jornalista!
Ida, penso que vive no passado. Isso é tão 2008, dizer que “a maioria dos jornalistas” é “arrogante” por pensar que “somente eles podem ter acesso às fontes de informação”.
Já ninguém pensa isso.
Penso, também, que elabora num erro de perspectiva. Está claramente por fora do fenómeno Twitter, onde ABUNDAM os jornalistas, provavelmente a classe profissional mais representada naquela rede. Penso que isto demonstra que, pelo contrário, o Twitter FUNCIONA para a maioria dos jornalistas.
Não adicionar de volta não implica, sequer, uma manifestação de má educação — quano mais de idioteira. Pelo contrário, não será idiota esperar que as pessoas (jornalistas ou não) nos escutem apenas porque temos o poder de abrir a boca?
Ida:
“Existe muita arrogância no comportamento da maioria dos jornalistas ao pensar que somente eles podem ter acesso às fontes de informação”
“Com a Internet, eles perderam esse monopólio”
“Acreditam que são os únicos mortais habilitados para transmitir notícias”
“Nenhum deles me adicionou em retorno”
Essas são suas frases, acima. Pense no que escreveu antes de chamar mal educado seja a quem for. E não se ofenda por eu lhe dizer na cara que tenho EXACTAMENTE O MESMO PODER que você para abrir a boca aqui.
Respondendo: achar o Twitter irrelevante é um direito que assiste às pessoas — sejam ou não jornalistas.
Não vejo porque têm os jornalistas — ou seja quem for — de aceitar bovinamente A SUA OPINIÃO sobre o que é o Twitter e as respectivas maravilhas. Você está naquela posição de quem se inebria de tal forma com o poder que acha que lhe foi conferido qu se julga acima dos outros — em particular acima dos que, na sua opinião, detinham esse poder “antes”.
Eu não olho para a comunicação como uma guerra entre “os jornalistas” e “as pessoas”.
Você quer impor “aos jornalistas” um tipo de relacionamento — e pior, uma utilização específica da ferramenta: trocar. Más notícias: a bi-direccionalidade quando nasce é para todos. Você emitiu, aqui tem o seu retorno. Eu uso o Twitter como eu entendo, não como você acha que eu devia usar. Eu penso do Twitter o que eu decido pensar do Twitter, e não o que você — estou a usar o você inglês, o “you” da capa da Time — dita que o Twitter é.
Faço notar que grande parte das mensagens no Twitter são EMITIDAS, não procurando TROCA e em tantos casos recusando-a. Faço notar que ego não é forçosamente conversa, que conversa não é forçosamente opinião, que opinião não é automaticamente facto, que facto não é notícia por direito divino, e finalmente que notícia não é necessariamente conhecimento.
O Twitter comporta tudo isso: ego, conversa, opinião, facto, notícia, conhecimento. Mexerico, desinformação e rumor também fazem parte. Até idiotas lá cabem, pois então não é o Twitter um ambiente humano?!
Não tem razão alguma: jornalista troca informação — talvez troque mais, até, que cidadão comum na medida em que dispõe de muita para a troca, vive num ambiente rico de informação e está habituado a isso.
Adicionar em retorno é uma cortesia e como as outras cortesias não significa interesse real. Certamente que não pode concluir que, ao não ser adicionada de volta, aquela pessoa (jornalista ou não) não se interessa por diálogo.
A comunicação em rede é muito menos sujeita a regras e dogmas do que a Ida parece pensar.
Se reler esta página daqui a um ano, perceberá quem foi tolerante e quem não foi.