Em Julho do ano passado, o Twitter adquiriu o Summize, um motor de busca focalizado nas redes sociais e que muitos dos utilizadores mais antigos certamente ainda se recordam. Este foi, porventura, o passo mais importante na história da pequena empresa de São Francisco.
A jogada foi clara e inteligente: controlar e integrar o acesso à grande «consciência global» no qual o site de micro-publicação se estava a tornar. No fundo, era o acesso aos pensamentos, às acções, às opiniões, às notícias e por vezes até às emoções de milhões de pessoas. Isto são também conteúdos que geram muito dinheiro, se bem geridos. Por exemplo, é agora possível rastrear, no imediato, as críticas de milhares de clientes sobre um determinado produto lançado no mercado.
Nos meses seguintes à queda do Summize, sobretudo a partir de Novembro de 2008, iniciou-se em toda a web uma nova discussão: estamos, ou não, a assistir a um novo paradigma na forma como temos acesso à informação na rede? De facto, tudo leva a crer que sim, a única questão que prevalece é se o Twitter será ou não um interveniente importante no futuro do real-time search. É que, no actual estado das redes sociais – e influenciados em grande parte pelo sucesso do Twitter, é já difícil não encontrar quem produza e disponibilize conteúdos instantâneos, como são os casos do Facebook e do FriendFeed.
Os gigantes dos motores de busca, a Google e a Yahoo!, foram apanhados de surpresa e demoraram tempo a reagir. Fizeram-no timidamente e só no início deste ano, abrindo ambos contas no Twitter para perceberem bem o que se estava a passar. Aos poucos foram procurando trabalhar no novo estado das coisas. A Google passou a indexar os tweets e a Yahoo! produziu o Sideline, uma aplicação em Adobe AIR para pesquisar o Twitter e que se revelou um autêntico desastre. Mas foi só na semana passada que a Google começou a considerar de forma bem séria a ameaça ao seu negócio de pesquisas. Introduziu as search options e Larry Page afirmou a Loïc Le Meur, o patrão da Seesmic, que «sempre pensei que precisávamos de indexar a web ao segundo para permitir pesquisas instantâneas. Ao princípio, a minha equipa riu-se e não acreditou em mim. Agora sabem que têm de fazê-lo.» Lógico! Uma mente brilhante como Larry Page já tinha pensado nisso e… não fez nada… Na recente Google Zeitgeist Conference, Eric Schmidt já falou numa possível parceria com o Twitter. Provavelmente é bom que o faça rápido: Dave Winer diz que este é o toque de alvorada para a gigante de Mountain View e o homem não costuma falhar nas previsões.
Agora, o Twitter fica com o quê, precisamente? Bem, primeiro fica com milhões de verdadeiros aficionados; um luxo nos tempos que correm. É que, apesar das constantes falhas no serviço e das múltiplas alternativas disponíveis, a fidelidade é provavelmente a qualidade (ou o defeito) que mais caracteriza os tweeters. Depois, pode a qualquer momento bloquear o acesso externo aos seus dados e vendê-los – acredito seriamente que será esse o modelo de negócio a seguir. A publicidade será praticamente irrelevante neste contexto. O Twitter venderá um bem inestimável: conhecimento do que se passa e, como sabemos, não há dinheiro no mundo que chegue para pagar isso. Por último, a Google já nos conseguiu mostrar, durante estes últimos anos, quanto vale o negócio das buscas na rede. O Twitter só tem que descobrir como fazê-lo de forma ligeiramente diferente.
Biz Stone e Evan Williams estão, assim, com um desafio muito grande pela frente, como já vimos: tornarem-se a referência no mundo novo do real-time search. Para conseguirem isso têm que começar por resolver definitivamente os problemas técnicos e as falhas de dados que começam a roçar o imperdoável. Seguidamente, aprender com projectos de motores de busca novos e bastante interessantes que começam a surgir cada vez em maior número: Tweefind, Twazzup, Tweetzi, Tweetmeme, Flaptor, OneRiot, Scoopler são só alguns exemplos, porque há mais! Finalmente, não podem perder tempo; eles são o melhor exemplo de que a vida hoje corre demasiado depressa e a web é um local onde se deve estar atento diariamente, aproveitando as oportunidades e tirando o melhor partido das nossas ideias.



















De facto, tudo leva a querer que sim,
— leva a crer
Gostei. Bom artigo.
Sim, de facto tudo leva a crer que houve um erro. Obrigado pelo alerta António.
Fernando, obrigado!
O que é queres dizer com isso? Se for para criar um jardim murado à Facebook, acho que será um autêntico tiro no pé. A Web tende a ser cada vez mais aberta e uma medida dessas resultaria numa debandada de utilizadores. Se te estavas a querer referir à utilização da API do Twitter por aplicações externas, aí já seria capaz de concordar…
Sim, por acesso externo entendo a obtenção desses dados pelas várias aplicações que utilizam a sua API. De qualquer forma, isto não passam de suposições e o futuro é capaz de ser bem mais empolgante. E concordo contigo. É natural que o Twitter necessite de um modelo de negócio sustentável, mas quanto mais livre for, melhor.