A prova do piloto português Carlos Sousa no Dakar está a ser noticiada em tempo real na Internet, usando redes sociais e plataformas de edição e distribuição de documentos para a informação ao público e contacto com jornalistas e publicações.

Imagem do topo da página de Carlos Sousa no Facebook
A opção pelas redes é explicada ao Diário 2 por Nuno Nogueira Santos, da empresa de comunicação do piloto (ver entrevista mais à frente). Uma das razões da escolha foi “a diferença horária entre Portugal e a Argentina e o Chile“, países onde se disputa o Dakar. Por causa dela as etapas terminam “bastante tarde para os jornais portugueses” e as redes ajudam a mitigar o problema.
No Twitter a conta @CSousaDakar faz o acompanhamento das etapas em directo, fornecendo pormenores e informações também de carácter noticioso. Já na página do Facebook temos um envolvimento mais pessoal do piloto, não apenas porque Carlos Sousa já faz, ele próprio, entradas na conta, como as declarações são reproduzidas com maior amplitude e num registo multimedia.
Estas 2 redes servem essencialmente de pontos de contacto com os fãs o público interessado no rali, e de distribuição de informação aos jornalistas e bloggers que cobrem a prova, sendo que os press-releases são disponibilizados noutra plataforma web 2.0, o Scribd. As fotografias, embora de acesso reservado a publicações, são também distribuídas na web.
Finalmente, o blog da empresa de comunicação por detrás desta acção está a fazer, sem complexos, a cobertura da prova de Carlos Sousa. No Press-à-Porter encontramos as descrições de cada etapa.
O hipertexto, esse recurso das redes tão negligenciado pelos comunicadores, é usado de forma natural para unir as pontas todas, num exemplo técnico de boa comunicação na Internet raro em Portugal.
Diário2 entrevistou Nuno Nogueira Santos, da press-à-porter, que é também um utilizador empenhado das redes.
Redes sociais ajudam a encontrar o “ritmo certo” da comunicação
P: Porque decidiram apostar nas redes sociais?
R: A Press-à-Porter tinha já tido boas experiências com as redes sociais na área política e entendemos que a comunicação do Carlos Sousa poderia ser eficaz por essa via, também. Na verdade, o Carlos é uma figura pública cuja notoriedade ultrapassa claramente o âmbito desportivo. Limitar a sua comunicação no Dakar aos canais habituais era bastante restritivo e pareceu-nos que as redes sociais poderiam adequar-se à sua actividade. Por outro lado, a Press-à-Porter apenas começou a trabalhar com o Carlos Sousa muito pouco tempo antes da sua partida para a Argentina. Não houve tempo para realizar uma série de acções de comunicação e desenvolver algumas ferramentas (como um site devidamente estruturado). De acordo com o piloto, decidiu-se, desta forma, “atalhar” caminho e criar formas mais fáceis de interacção.
P: Em que se baseou a escolha das redes Twitter e Facebook?

Carlos Sousa na etapa de ontem do Dakar
R: São duas redes distintas. A opção pelo Facebook tem a ver com o facto de ser muito multifacetada. Permite a colocação de imagens, textos, interliga-se facilmente com outras redes sociais e é hoje uma rede bastante popular. Contudo, apesar de popular tem características bastante profissionais e um nível etário superior a outras, como o Hi5, por exemplo. Por outro lado, há já alguns pilotos com perfil no Facebook e existem mesmo diversos grupos dedicados ao automobilismo, o que facilitou a difusão do perfil do Carlos, que em dois dias de actividade conquistou mais de 300 seguidores.
Quanto ao Twitter, a opção teve a ver sobretudo com o imediatismo da rede e com o facto de haver um grande número de jornalistas que a usam. A diferença horária entre Portugal e a Argentina e o Chile, onde se disputa o Dakar, faz com que as etapas terminem sempre bastante tarde para os jornais portugueses. O Twitter ajuda-nos a mitigar este problema, uma vez que nos permite ir informando a rede sobre o que está a passar na prova com o piloto, permite-nos responder rapidamente a uma questão e informar quando será enviado o comunicado de imprensa no final da etapa, por exemplo, ou se já estão disponíveis fotos do dia para utilização pela imprensa.
P: As contas terão continuidade ao longo do ano? Ou serão reactivadas no próximo Dakar?
R: O sucesso que estamos a ter nas redes sociais é importante. O Carlos terá oportunidade de analisar os resultados quando regressar a Portugal e lhe mostrarmos os relatórios. É impossível ficar indiferente à quantidade de mensagens de incentivo que o Carlos tem recebido, sobretudo no Facebook, pelo que não acredito que esta presença fique por aqui.
P: Podemos esperar uns tweets do próprio piloto?
R O Carlos já faz um ou dois pequenos textos diariamente no Facebook, antes e depois de cada etapa. Mas os níveis de concentração e a necessidade de descanso e concentração numa prova destas não lhe tem permitido muito mais interactividade, nomeadamente no twitter. Por outro lado, o Carlos não conhecia o funcionamento da rede Twitter antes do Dakar… mas quem sabe até ao final da prova essa ideia será posta em prática… vamos ver!
P: Já um pouco fora do tópico… A que atribuir o alheamento das figuras públicas portuguesas face às redes? Há um grande contraste com a realidade brasileira, com músicos, actores e outros a estabeleceram redes directas com os fãs.
R: Penso que somos um povo um pouco mais conservador nesse aspecto e, sobretudo, um pouco mais preconceituoso quanto à internet. Costumo dizer aos meus clientes que as redes sociais não resolvem, por si só, nenhum problema de comunicação. Contudo, se hoje queremos ter uma comunicação eficaz e com o ritmo certo, temos que lá estar. Fazendo um paralelo com o automobilismo, não é o “navegador” quem conduz o carro de corrida, mas sem ele o piloto não será tão rápido, não encontrará o ritmo certo e acabará por se tornar quase impossível chegar em primeiro…


















Carlos Sousa (e não Carlos Santos…)
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