Como conseguir seguidores e alienar o público no Twitter


Joel MinusculiJoel Minusculi 1 Julho 09 15:00
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Piratasdotwitter

O Twitter no Brasil foi movimentado por mais uma campanha de top hashtag na noite de 29 de junho. Depois do movimento #chupa @aplusk, agora o alvo foi o ex-presidente e atual senador brasileiro José Sarney (DEM-MA). A palavra de ordem #forasarney estava relacionada com os escândalos relacionados ao político. Em mais um movimento coletivo, a hashtag de Sarney alcançou o segundo lugar nos trending topics. Dessa vez, diferente do caso #chupa (manifestação espontânea e popular), o #forasarney foi encabeçado por “celebridades” da mídia brasileira.

Um grupo de “celebridades” decidiu fazer mobilizações pelo Twitter, com a intenção de fazer suas idéias serem redistribuídas (retwittadas) e forçar a entrada de termos nos trending topics. Com isso foi criado o perfil coletivo no Twitter chamado “Os Piratas”, que conta com a participação do ator Bruno Gagliasso, o cantor Junior Lima (da extinta dupla Sandy & Junior), o apresentador do “CQC” Marco Luque, o também apresentador do programa “Pânico” Rodrigo Vesgo, o amigo dele Pedro Tourinho e o VJ da MTV Felipe Solari.

A primeira ação do grupo começou às 22h30 minutos no dia 29 de junho e contou com a adesão de milhares de tuiteiros do Brasil – muitos deles fãs que migraram atrás dos ídolos no mundo online. Além de conseguir colocar o #forasarney em segundo lugar nos trending topics até 1h do dia 30 de junho, as “celebridades” ganharam espaço em sites de fofocas e que acompanham suas vidas.  Além disso, milhares de perfis de pessoas “comuns” mudaram seus avatares para a bandeira “pirata” e replicaram os twittes dos famosos.

O fervor nas quase três horas de movimentação pelo #forasarney foi tão grande, que as “celebridades” brasileiras começaram a apelar entre elas e para as internacionais. Nessa hora, @aplusk foi rogado como um santo em uma decisão de campeonato de futebol. Teve de tudo: gente usando credencial de VJ da MTV, outros fazendo discurso ideológico e até quem apelou para o poder de influência do astro americano. O detalhe foi que @aplusk não se comoveu pelos do movimento e justificou de uma maneira simples: nada disso interessava para ele e quem deveriam se mobilizar eram os brasileiros por conta própria – foi quase como se @aplusk tivesse direcionado um #chupa educado aos @twpiratas. E ainda teve gente que achou o cúmulo alguém de fora do país, que não sabe quem é José Sarney, não ter usado sua influência para divulgar uma hashtag que só diz respeito ao Brasil.

É interessante perceber o poder de alcance dessas “celebridades”, ao ponto de qualquer coisa que escrevem ser replicada no Twitter milhares de vezes. Manipular as hashtags foi encarado como um jogo por aqueles que deveriam usar sua influência para construir redes sociais empenhadas, independente da posição da palavra de ordem. Enquanto isso, milhares de pessoas “comuns” seguiram cegamente os dizeres de seus “ídolos”. Dessa vez o alvo, #forasarney, não tinha muitos motivos para se defender (pois cada vez mais mostra-se culpado). Mas o que será da reputação do conteúdo das redes sociais quando essa brincadeira causar um dano sério?



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Data
1 Julho 09 15:00

Autor
Joel Minusculi
Joel Minusculi
é natural de uma pequenina cidade chamada Presidente Getúlio, no interior de Santa Catarina, estado ao sul do Brasil. Mochileiro por escolha, a partir do momento que botou o pé fora da cidade sentiu vontade de dar a volta ao mundo. Já passou dos 20 anos e não tem a mínima idéia da idade na qual quer chegar. Corre atrás de seus sonhos e é perseguido pelos medos. Descobriu na escrita, principalmente no jornalismo, um caminho que, além de trilhar, pode por ele mesmo construir seus objetivos. Divide o tempo entre estudos, vida doméstica e emprego. Gosta de vagar no mundo online e descobrir novas possibilidades. Nas horas vagas gosta de garimpar sebos e ler histórias de fantasia. Mas o que mais o intriga é a realidade.

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7 a “Como conseguir seguidores e alienar o público no Twitter”


  1. Paulo
    Paulo diz:

    Na verdade quem criou a tag foi o Rafinha Bastos http://twitter.com/rafinhabastos/status/2208588032 , também do CQC há quase 15 dias. Depois do retwit do @marcelotas, a tag ficou em primeiro e gerou manifestações em várias capitais brasileiras marcadas para hoje.

  2. Luma
    Luma diz:

    Talvez fosse melhor se informar antes de publicar um texto ou mesmo conhecer o site do movimento #forasarney que não tem nada a ver com as subcelebridades.

  3. Luma
    Luma diz:

    Agora sei pela resposta ao meu comentário que respeita o movimento #forasarney e como os jornalões brasileiros quiseram induzir o leitor – que ele ganhou força somente pela adesão de subcelebridades ligadas ao entretenimento e sem vínculo político – dando a entender que este era apenas: coisa de molecada brincando na web, desmerecendo quem se preocupa com os caminhos políticos do pais; ao colocar no mesmo balaio que o #chupa (que foi uma brincadeira), a sua pergunta ao final é meio controvertida, não acha?

  4. Mundo Drive

    no meu Estado do Maranhão o #fora sarney existe a anos o Brasil é que ainda não tinha escutado!

  5. Vinicius
    Vinicius diz:

    Mundo Drive, que bom que agora com o Twitter, o Fora Sarney ganhou força. Fiquei sabendo, em meio ao movimento, que existe um movimento real, chamado Xô Sarney.

    Nem deu tempo de criarmos um “Xô ACM” aqui na Bahia… =)

  6. Joel Minusculi

    É verdade Paulo. Pior ainda para os @twpiratas, que quiseram se aproveitar de um movimento espontâneo e ganhar créditos por isso. Vi que o Tas levantou a bandeira do #forasarney antes do episódio do meu texto, mas não tinha certeza de quem tinha criado.

  7. Joel Minusculi

    Luma,
    Eu conheço o site do #forasarney. Como você deve ter percebido ao ler meu texto, faço uma crítica não ao movimento, mas sim como as “celebridades” que quiseram tomar para elas os créditos da ação (tanto que graças aos comentários aqui podemos descobrir o verdadeiro criador da hashtag, o Rafinha Bastos). Todas as minhas opiniãoes no texto estão fundamentadas com links: confira! Não desmereço o movimento, pois sou brasileiro e acompanho as falcatruas e o império Sarney há um bom tempo.



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