Portugal já foi um país menos politicamente correcto que é actualmente. Lembro-me de há anos atrás chegar a um qualquer aeroporto de países desenvolvidos e ter de procurar um recanto, mascarado de aquário, pomposamente chamado de “área de fumo”, para poder fumar um cigarro. Mas quando voltava à minha terra, podia puxar do cigarro assim que saia do avião. Outros tempos.
Não sou totalmente contra as leis anti-tabagistas, mas temos (nós, os portugueses) uma certa tendência para o exagero e voamos do 8 para o 80. Ainda nos falta descobrir um 35 ou 40 e é essa predisposição que me assusta, quando sabemos que a superpotência actual sofre de algum radicalismo em muitos assuntos.
Recentemente a Apple americana recusou-se a reparar dois computadores, simplesmente porque os seus proprietários eram fumadores. Escudados por uma lista da Occupational Safety and Health Administration (agência americana que mantêm os americanos saudáveis) que inclui a nicotina como uma substância perigosa, assim na vizinhança do antrax, o que dá o direito aos técnicos de recusarem aproximar-se do aparelho para não ficarem “contaminados” pelo fumo passivo entranhado nos macbooks ou imacs, ainda dentro da garantia.
Não sei se o velho continente concordará em deixar o vício para manter a garantia dos computadores Macintosh, mas era simpático colocar um aviso nos maços: “a Apple adverte: o tabaco prejudica a garantia do seu computador”.
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