
Quantos utilizadores do Twitter estima que existem em Portugal? — é uma pergunta que me têm repetido ultimamente.
No total, estimo que perto de 100.000 portugueses tenham já aberto conta no Twitter, e que um pouco menos de 40.000 tenham tido actividade no último mês. A taxa de desistência é grande.
Do TwitterPortugal podemos tirar alguns números parciais, relativos ao universo de pessoas que o sistema segue.
- número total de autores rastreados desde 3 de Abril de 2008 até meados de Novembro: 11.450.
- estes autores produziram 5.048.779 tweets até há uns dias atrás (para ver os números através do tempo, aqui no Diário2, ler o tweet 5 milhões)
- desse total, número de contas que fizeram 1 único tweet: 688
- contas com 2 tweets: 453
- Contas com mais de 10.000 tweets: 163
Totais dos últimos 3 meses
total de tweets em 2009-10: 792.492 por 6.971 contas
total de tweets em 2009-09: 816.161 por 6.810 contas
total de tweets em 2009-08: 678.011 por 6.653 contas
Nota: calculo que o TwitterPortugal siga, através da conta @TwitPortugal, entre 1/4 e 1/6 das contas portuguesas, mas a extrapolação de números a partir do universo conhecido não é linear. Isto é: admito que possam existir 40.000 contas com actividade no último mês, mas não acredito que o total de tweets possa, em qualquer altura do rastreio, ser multiplicado por um factor superior a 2,5.
Um comentário
O Twitter começou por evoluir devagar em Portugal, seguindo o padrão verificado em geral noutros países, e também noutros serviços que emergiram na web nas últimas 2 décadas. No início deste ano de 2009 a intensa projecção mediática deu-lhe um grande impulso. Contudo, a partir do Verão Portugal começou a divergir um pouco do padrão global. O abrandamento foi mais súbito, e mais acentuado.
Penso que tal se deve a três razões.
Em primeiro lugar, em Portugal raras figuras públicas adotaram o Twitter para o estabelecimento de contactos com os seus fãs. O número de “celebs” português é extraordinariamente rarefeito. Acresce que algumas dessas celebs entraram da forma errada, julgando o Twitter como um meio de comunicação gerível à distância por técnicos de marketing e press-releases. Tanto nos Estados Unidos como no Brasil — o Twitter conhece uma pujança notável naquele país lusófono — a utilização tipo “celeb” do Twitter é um factor determinante para a sua popularidade e para o seu futuro.
Em segundo lugar, os media portugueses, incluindo os blogs de topo, falharam o Twitter.
Um terceiro aspecto prende-se com a fraca cultura de inovação e empreendedorismo web que continua a assolar o país, mau grado o impulso que sucessivos governos tem tentado imprimir a uma sociedade civil demasiado inerte e passiva. Em 2 anos de Twitter, Portugal contribuiu com um número insignificante de serviços web feitos “em cima” da tecnologia — talvez menos de uma dezena entre os milhares de serviços e aplicações que existem em todo o mundo. E dessa escassa dezena, nenhuma aplicação se distinguiu, até hoje.
Em função desta análise, penso que Portugal continuará a desviar-se do padrão evolutivo do Twitter. Que caminha para se tornar sobretudo numa layer tecnológica onde assentam serviços de terceiros.
O marasmo, ou a não-ignição, que se verifica na twitosfera portuguesa já foi observado antes e parece inscrito no código genético do país. Para dar um exemplo recente e bastante conhecido, também na blogosfera os portugueses estiveram entre os primeiros e durante a fase inicial o país esteve a par. Contudo, na evolução ficámos para trás: nenhum projecto editorial se distinguiu ou afirmou, já não digo internacionalmente, mas a menos a nível local. Os bloggers portugueses não produziram nenhum Huffington Post ou Techcrunch, nem mesmo um 233 grados.
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