Está a ser apresentado à Imprensa e blogs neste momento o Activobank — a aposta do grupo Millennium para colocar um produto bancário inequivocamente junto das gerações 2.0. Diário2 teve acesso ao pré-lançamento e adianta os traços gerais do novo banco ubíquo.
O ActivoBank apresenta refrescamentos e novidades a 3 níveis e revoluciona noutro. As novidades estão nas lojas físicas, no site online (activobank.pt estará operacional nas próximas horas) e na angariação de clientes. A revolução… não sei como lhe vão chamar, só me ocorre a expressão “banca ubíqua”: em qualquer lado onde eu esteja, e haja conectividade e um telefone ou aparelho com ligação, tenho acesso não apenas às consultas, mas a todos os serviços associados à minha conta. Transacções em tempo real.

iPhone app
Comecemos pela revolução. O ActivoBank tem já uma iPhone app no iTunes e vão ser lançadas aplicações para a maioria dos hoje chamados smartphones. Vi a iPhone app em acção e… como explicar? Tirando a parte de não saírem notas do telefone, é melhor que o Multibanco.

Quem tenha a aplicação MB Phone vai ficar roído de inveja. Eu tenho, eu fiquei. As limitações desta são pulverizadas pela aplicação do ActivoBank. Usando a frase que Miguel Carvalho, o COO do ActivoBank, empregou para me descrever o potencial da mudança: “passámos da fase dos alertas para a banca em tempo real“. E exemplificou com uma transferência para a conta de solidariedade com a Madeira, feita em menos de 30 segundos.
No MB Phone faço consultas lentas. No ActivoBank poderei fazer transacções rápidas.
Claro que não é só o iPhone. Este é o começo, um apelativo começo. Toda a informática, nas lojas físicas, é Apple e, mercê de um acordo com a Vodafone, na campanha de lançamento do ActivoBank há condições especiais para a aquisição de iPods ou iPhones a partir de 49 euro (contrato de 24 meses e 30 euro mensais, se retive bem a informação somente oral do pré-lançamento). Mas a banca ubíqua estende-se a outros aparelhos telefónicos com acesso à Internet, seja com aplicações próprias, seja via browser ao site, preparado para a segurança que esse tipo de acesso implica, e mantendo o mesmo nível de serviço: total, não apenas de consulta.
Simplificação 2.0
O site é um mimo. Se é cliente do MillenniumBCP ou de outro banco online, compreenderá isto: imagine que lhe fizeram um lifting e modernização à luz do que vulgarmente chamamos de conceitos 2.0, como a simplicidade, limpeza, racionalidade. A “navegação” é reduzida ao mínimo. O uso das janelas de sobreposicionamento resulta muito bem, como já sabemos da prática dos modernos webservices.
O Activobank cortou com a gordura do MillenniumBCP. Não há 42.000 informações de que eu não necessito a ocupar o espaço do ecrã. Tem todas as funcionalidades, algumas delas usando a mesma tecnologia “por detrás” — o front-office é que sofreu as melhorias.
É claro que nem todos os clientes do MillenniumBCP ficarão, como eu, desejosos de mudar. Imagino que muitos gostem do site actual. Mas o site actual não é apelativo para as gerações instantâneas nem se enquadra na web líquida. Este ActivoBank é pensado precisamente para ir ao encontro das pessoas que não estão para perder muito tempo com os serviços bancários, estão habituadas a consumir a informação em pequenas doses e têm prática de serviços web: se precisam consultar o precário, ou as condições, sabem que há um botão discreto algures que os leva lá, dispensam bem os menus de funcionalidade sobrecarregados com tais acessórios.
É bem claro o posicionamento em busca dos clientes habituados aos tempos leves e rápidos, que não têm (não tinham) nenhum banco adaptado à sua cultura: acesso instantâneo, ubíquo, independente de plataformas, high-tech, com contacto humano reduzido ao mínimo indispensável.

Lojas modernas
As lojas que o ActivoBank abre hoje em centros comerciais — Amoreiras, Saldanha e Lagoas, na Grande Lisboa, e Península, no Porto — são modernas na apresentação e nas funcionalidades. Não se parecem lá muito com bancos, é verdade. Parecem mais lojas de roupa. Tem um balcão transacional ao fundo, “gabinetes de prova” laterais e mostruários de novidades/promoções (a campanha iPhone/iPod, de início).
Os computadores e monitores têm a maçã da Apple. Não que haja algum acordo. Apenas para bom marketing
De facto, e isto digo eu, como é que demorou tanto tempo até um banco perceber o óbvio, que a maçã vale mais, comunicacionalmente falando, que qualquer outro logotipo de hardware?
A lição do Facebook
As lojas dispõem ainda de espaços menos expostos destinados à rede de angariadores. Funcionará mais ou menos assim (hoje o banco apresentará mais informação do que a prestada na pré-exibição, naturalmente): qualquer pessoa pode tornar-se parte da rede, e não apenas os agentes tradicionais, e não dispondo de instalações, pode recorrer às lojas para fazer apresentações aos potenciais clientes, ou resolver problemas. Tudo, dizem-me, com grande simplificação de processos — o que inclui, por exemplo, acesso wireless automático dentro das lojas e nas suas proximidades, para os clientes do Activobank.
Esta rede foi mais ou menos inspirada na observação das novas relações sociais, nomeadamente visíveis no Facebook. O endosso de serviços por parte das pessoas em quem confiamos sempre existiu, a diferença é que a rede de pessoas em quem confiamos tem vindo a mudar — e a alargar. Pelo que entendi (dou pouca atenção à banca propriamente dita), o ActivoBank pretende estar mais perto de um determinado público alvo que é mais sensível aos endossos da sua rede do que à publicidade e aos endossos “profissionais”.
Termino dizendo que há outros aspectos do serviço bancário propriamente dito que também foram simplificados e facilitados à medida das gerações 2.0, info-ricas e impacientes. Ao invés de escolher os produtos pré-formatados que o banco apresenta, o cliente tem o poder de definir coisas como o prazo do depósito ou investimento. Mas de tais pormenores saberão informar jornalistas e bloggers mais atentos. Eu fico-me pela apresentação genérica.
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