A empresa que lhe fornece televisão por cabo (e estou a assumir que tem televisão por cabo) não produz conteúdos. Ela paga a vários canais produtores para ter o direito de os utilizar no pacote que é vendido. Resumindo, o caro leitor paga a um agregador de canais para ver televisão (e volto a assumir que tem televisão por cabo), o que não deixa de ser um bom negócio, para todos. Acaso não houvessem estas empresas de fornecimento de televisão por cabo, teríamos de contratar os canais directamente, o que sairia mais caro. Assim, ganham os canais, porque mantêm o seu lucro, ganham os agregadores, porque têm negócio e ganhamos todos nós (os da televisão por cabo) porque temos acesso a centenas de canais por um preço acessível.
Agora vamos imaginar que os jornais e outros meios de informação da Internet tinham a ideia de criar um sistema parecido. É conhecida a crise por que passam os media, especialmente os da palavra escrita, e que a situação já levou alguns a cobrar pelos seus conteúdos, mas com um sistema pouco eficaz e até ingénuo, que levou a Newspaper Association of America a pedir ideias para o problema. A Google respondeu!
A ideia base é a mesma do fornecimento de canais televisivos, junta-se uma mão cheia de publicações num pacote e serve-se mediante o pagamento de um valor mensal, mantendo a vantagem de se poder utilizar micro pagamentos para aceder a algum especifico conteúdo interessante que não faça parte do pacote subscrito. É o regresso do negócio da distribuição, tão grandemente anunciado como moribundo com o aparecimento do mundo online.
Não é uma solução nova e tem sido discutida nos últimos meses na Internet, inclusive por alguns “grandes” da área, como Steve Brill, Gordon Crovitz e Leo Hindery, que já tinham anunciado a criação de uma empresa para o efeito, a “Journalism Online”, um futuro portal para venda de acessos a publicações aderentes. Mas será esta a salvação do jornalismo?
Foto: http://www.flickr.com/photos/n0seblunt/3861718719/ / CC BY 2.0









