Computadores, software livre, redes sociais, câmeras, microfones e muita força de vontade. É assim que se realiza em 2010 a transmissão de um dos maiores festivais integrados da história da música brasileira, o Grito Rock. Poderia me arriscar a dizer que é o maior, mas estabelecer um ranking é contra a ética linear e horizontal na qual essa integração gigante se firma.
A essa altura o leitor do Diário 2 se pergunta se a interação de fato está relacionada apenas com a transmissão do festival. Digo lhe que também está, mas não somente por ela.
É evidenciado pelos próprios passos já firmemente efetuados pelo realizador nacional, o Circuito Fora do Eixo, o momento em que não só a música avança fronteiras, mas onde a revolução inteligente deveras acontece simultâneamente em todos os cantos do país. Tal revolução trabalha a cultura no molde antropológico, integra pessoas engajadas (músicos, artistas, jornalistas, produtores e vários outros profissionais), além de disseminar a nobre causa do bom uso das tecnologias sociais e livres. O resultado é uma rede de difusão de conteúdo tangível e intangível, onde pequenos coletivos locais sistematizam seus trabalhos e um “macro universo organizado” se estabelece, em decorrência.
Mas de onde vem tudo isso?
Em 2005, o Circuito Fora do Eixo surge para possibilitar o intercâmbio de tecnologia de produção, e aumentar a circulação de arte no Brasil. Curiosamente, tem esse nome porque de início era composto por cidades que não se localizavam no clássico eixo geográfico da produção artística tupiniquim. Para se observar com clareza tal posição no território, basta uma verificação visual do mapa brasileiro. Em consulta com mais minúcia, evidencia-se a distancia de mais de 1900 km entre Cuiabá (MT) e Rio Branco (AC), ou mais de 1000 km que separam a capital mato-grossense de Uberlândia (MG). Tais cidades, junto com Londrina (PR) iniciaram as atividades do circuito com trocas frequentes de informação e tecnologia, encontros presenciais regulares e festivais independentes, interligando cenários.
Hoje o CFE está presente não só no Brasil, mas já se estendeu a países vizinhos, como Argentina, Bolívia e Uruguai. Permenece ampliando a interação, crescimento cultural e o uso de tecnologias livres. Um fator interessante, é que todas as tecnologias e processos envolvidos (tutoriais, guias) são disponibilizados no portal. É de encher os olhos.
O festival Grito Rock 2010 consolida a idéia do “do it together” abrasileirada ao “façamos juntos”. Mostra também que com o bom uso da informação, a voz coletiva pode ecoar em distâncias consideráveis.
Confira alguns links interessantes:
- Web Rádio Fora do Eixo (Festival ao vivo)
- Fora do Eixo Tec (Tecnologias do circuito democratizadas na rede)
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