Muito se tem falado neste espaço sobre como o Twitter abre portas para o conhecimento de terceiros, para a partilha de informação de forma quase instantânea. Creio que começa a ser tempo de na maioria das disciplinas ligadas à comunicação fazer um acréscimo da teoria de utilização dos meios de comunicação: a televisão mostra, o rádio relata e os jornais explicam!
Este acréscimo é a Web 2.0 (Twitter, Facebook, Hi5 e outros) vivem.
Sim vivem. A palavra correcta é viver, ao ponto de sentirmo-nos um pouco voyeurs da vida alheia ao saber onde ser e determinada pessoa se encontra, a fazer o que e com quem. Um exemplo do que falo é António Galamba (@antoniogalamba) do PS descreve ao longo do dia no Twitter a sua actividade política, qual agenda política ambulante e actualizada!
O problema de viver, usando ferramentas tecnológicas que nos criam uma realidade virtual é a criação de uma sensação de conhecimento profundo de quem nos segue e de quem seguimos, pois ao poder ter um debate de ideias aberto com diversas pessoas ou mesmo só lhes dar os bons dias, faz-nos sentir mais chegados e íntimos deles. Porém não será isto estar a criar um “amigo invisível”?
Esta questão é pertinente, de quando deixamos que o virtual ocupe o espaço da realidade e começamos a falar de pessoas que vivem noutros meios sociais, económicos e demográficos completamente diferentes dos nossos. Ainda há pouco tempo uma das caras conhecidas do burgo Twitter português comentava que se sente incomodado com as pessoas que lhe mandam beijos e abraços via Twitter e que nunca teve oportunidade de conhecer pessoalmente. É preocupante o perigo que se esconde atrás do tempo ocupado num Twitter ou num Facebook e no pouco tempo que depois se toma para os relacionamentos reais, mesmo que seja com as pessoas que estão nestas redes sociais.
A psicose de se querer ser seguido por muitos e sentir que se tem à volta uma orla de amigos (mesmo que fictícios) é mais uma maneira das pessoas não se sentirem tão sós, tendo sempre a mais valia de estarem sempre bem acompanhados quer seja com pessoas comuns quer seja com celebridades.
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