Portugal vive um ano de Eleições. O voto para o Parlamento Europeu teve lugar a 7 de Junho. As Legislativas decorrem a 27 de Setembro e a 11 de Outubro os portugueses vão escolher os seus representantes para as autarquias.
Embora seja visível o interesse sobre a “Politica 2.0” tanto nos órgãos de comunicação como nos meios online, não há desenvolvimentos significativos em tecnologia política de e para as pessoas. Tal como no resto do planeta, a estratégia vencedora de Barack Obama que o levou à Casa Branca. Meios informativos garantiram a colaboração da Blue State Digital com o PS no sentido de implementar acções online, um facto que acabou por ser não conclusivo. Tanto quanto nos é dado a conhecer, as estratégias de marketing político são ainda lideradas por “spin doctors” locais e brasileiros.
A pouco menos de um mês para as Eleições Legislativas, os partidos políticos têm realizado algumas acções online mas continuam a preferir a habitual forma de interagir com o público: comícios, cartazes, encontros na rua onde falam com os cidadãos (e câmaras de TV). As suas principais iniciativas online têm sido:
- Encontros com bloggers e internautas influentes em iniciativas promovidas pelos dois grandes partidos. Blogconf pelo PS e Política 2.0: a comunicação política na Internet e redes sociais – PSD;
- Embora hajam políticos e partidos com contas em redes sociais como o Twitter (Twitica), observando os sites dos principais ficamos a ideia que não fazem nenhum uso destas plataformas de comunicação. As melhores práticas estão em movimentos pequenos como o MEP e MMS, ou no portal para as eleições legislativas criado pelo PSD (Politica de Verdade). Acaba por não surpreender que os partidos pequenos vejam mais vantagens na aposta online, enquanto que os de maior projecção invistam menos nestas acções evitando assim o “ruído”;
- A maioria da campanha online parece ser realizada por jovens ou cidadãos independentes conotados com partidos na blogosfera, Twitter e outras redes sociais. Por exemplo, Papa MyZena (PSD) e SIMplex (PS) dizem-se desassociados de partidos mas fazem a apologia de programas de direita e esquerda e têm algumas pessoas com relações partidárias;
- Partilha áudio e vídeo é uma das recentes inovações nas recentes campanhas. O PS criou a MovTV, o PSD e partidos mais pequenos usam canais Youtube. Em raras ocasiões utilizam o streaming vídeo em eventos que chegam a criar interacção com internautas;
- O PS tem o MyMov, plataforma semelhante a uma rede social onde os cidadãos podem, por exemplo, expor as suas ideias;
- Alguns partidos também têm acções de recolha de fundos nos sites.
A imprensa, a TV e rádio têm coberto o tema “Política 2.0″ com algumas reportagens e mesmo debates. Uma boa iniciativa é o Eleições 2009, um blogue do jornal Público que junta bloggers de várias correntes políticas e que expressam as suas diferentes opiniões.
Para além do Twitica, existe outro site interessante para os cidadãos. Através de um questionário, a Bússola Eleitoral faz a previsão do partido político que mais se aproxima dos ideais da pessoa que responde ao mesmo.
Em conclusão: a “Politica 2.0″ está num estágio primário em Portugal. Tecnicamente, existem inovações mas não se registam tendências ou comportamentos virais acompanhados por eleitores. Garantir o apoio e a confiança da população é um longo exercício que terá como primado as acções de poder. As redes sociais não garantem só por si a confiança que um candidato ou partido anseiam.
Este post foi originalmente publicado no blog europeu do Personal Democracy Foru (PDF) , conferência mundial mais importante na área de Política e Tecnologia que se realiza anualmente em Nova Iorque. A primeira edição da PDF Europe terá lugar em Barcelona dias 20 e 21 de Novembro.
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