A internet "chorou" a morte do rei da pop

avatarRicardo Sousa 29/06/2009

Michael Jackson

Foi com pesar que muitos receberam a notícia da do genial e controverso Michael Jackson. A reacção à morte deste fenómeno de popularidade teve impactos não só um pouco por todo o “mundo real” mas, também, por todo o “mundo virtual”.

Mais uma vez, o Twitter afirmou-se como rede social de excelência para a transmissão rápida e eficaz de informação. Enquanto a CNN afirmava ainda que haveria a possibilidade de o cantor ter tido um ataque cardíaco, já no se levantava a possibilidade da sua morte suportada, primeiro, pela TMZ e, depois, pelo Los Angeles Times.

A comunicação social portuguesa decidiu, momentos depois, apostar na informação destes dois órgãos americanos e, minutos depois, a informação começava a encher as páginas internet dos diversos jornais e televisões, levando a niveis de acessos nunca antes registados nesse horário.

Com sites a ficarem temporariamente inacessíveis, os efeitos que esta procura massiva e repentina por informação teve na Internet tornaram-na um evento quase inédito nas proporções e condições em que teve lugar.

Tentemos, então, perceber o que se passou na internet no dia em que faleceu.

O Twitter

Eram 21h45min (hora de Lisboa), quando a conta @BreakingNews, no twitter, transmitiu a suma da mensagem publicada instantes antes pelo site noticioso TMZ, dedicado a celebridades. A partir desse momento os RT’s (retweets) a esta mensagem multiplicaram-se e as primeiras reacções à notícia por “utilizadores anónimos” começaram a registar-se a um ritmo alucinante.

Num plano global, e segundo dados da Twist (uma ferramenta que analisa as actividades no twitter), a expressão “” era encontrada em cerca de 22.61% dos tweets (no horário de maior impacto da notícia), cerca de 8% dos tweets continham a expressão “MJ” e mais de 25% continham “Michael”, estimando-se que, durante as horas de maior discussão da notícia, 30% de todos os tweets fizessem referência à estrela pop.

Tweets sobre MJ

No plano nacional, e segundo dados recolhidos pelo Paulo Querido para o TwitterPortugal, 1.881 dos 9.453 tweets registados nas cerca de 5.858 contas rastreadas pelo TwitterPortugal, das 21h00min até as 02h00min, faziam referência ao rei da pop.

Para além disso, 9 (!) dos 10 “tending topics” (tópicos de maior tendência de discussão no Twitter) eram sobre a estrela, nomeadamente:
Pop
RIP Michael Jackson
#MichaelJackson
LA Times
Thriller
Ed McMahon (o que não lhe fazia referência)
MJ’s
RIP MJ
P Micheal
Did Michael Jackson

Como é facilmente observável, o Twitter foi um dos palcos centrais na discussão sobre a morte de Michael Jackson, assumindo uma importância cada vez maior na divulgação de eventos e na sua posterior discussão.

E sites em baixo

O impacto da morte de Michael Jackson não se restringiu ao Twitter. O Site TMZ, que primeiramente terá avançado com  a morte do cantor, esteve (segundo indicações de utilizadores, desmentidas pela AOL (detentora do site), entretanto) em baixo a espaços durante a noite de quinta para sexta (em Portugal). Também o Los Angeles Times, jornal que avançou com a morte do cantor poucos momentos depois, esteve com dificuldades no acesso, dada a afluência de fãs de todo o mundo em busca de informação. O próprio twitter, apesar de muitos afirmarem que terá aguentado bem toda a avalanche de reacções à morte de Jackson, esteve, de quando a quando, inacessível, mostrando a “famosa” baleia.

Para além disso, um pouco por todo o mundo, sites noticiosos mostraram-se lentos ou inacessíveis com a procura de informações por parte dos utilizadores. Um desses exemplos é o site “Perez Hilton”, responsável pelas notícias de celebridades americanas, que começou por colocar um artigo em que desconfiava da veracidade do ataque cardíaco de Michael Jackson, mas que, momentos depois, foi actualizado para confirmar a morte, que muitos visitantes tentavam procurar como certa ou incerta.

Por cá, o Público terá registado, segundo dados do Paulo Querido, 30.000 visualizações e 100 comentários à notícia, triplicando o tráfego normal para aquele horário e mostrando que, cada vez mais, a informação “on-line” regista grande procura.

O Google

O Google, tal como outros motores de busca, também registou a morte do cantor pop americano. Apesar de não revelar números o Google deu a conhecer que houve uma enorme procura por informações sobre Michael Jackson. Nesta história da morte do cantor pop, o google protagonizou ainda dois episódios caricatos, sendo um deles apelidado por muitos como “de mau gosto” (algo que a própria companhia veio a afirmar momentos depois).

Primeiro, o Google News interpretou a crescente procura de informações sobre Jackson como um ataque automático, fazendo com que, por cerca de 25 minutos, quem pesquisasse no Google News por Michael Jackson tivesse de preencher os caracteres de uma imagem na caixa apropriada (o conhecido “captcha”), para poder continuar.

Depois, o Google Maps tweetou da sua conta Twitter: “Triste pelo MJ & FF (outra morte registada nesse dia da celebridade Farrah Fawcett)? Então alegre-se vendo alguns vídeos do Geo I/O (…)”. O google desculpou-se, momentos depois por este tweet, “Desculpem pelo último tweet – foi de mau gosto e desculpamo-nos”, disse a empresa pela mesma conta. Este episódio, que muitos apelidaram de triste, demonstra o “peso” que a informação acessível a todos rapidamente e instantaneamente tem, não deixando margem para grandes erros nas palavras.

Tweet from Google Maps

Também aqui, naturalmente, a história de Michael Jackson foi divulgada. Apesar de menos rapidamente, em maior quantidade, algo que se pode explicar pelo maior número de utilizadores. Dados da ClearSpring comprovam esta afirmação, dizendo que também esta rede social foi palco para manifestações de pesar pela morte da estrela.

Michael Jackson Facebook

Conhecida por ser local de consulta de vários tipos de informação, também a Wikipedia, quer na sua versão em Inglês, quer na sua versão em Português foram dando conta da Morte de Jackson, fechando a possibilidade de alterações aos textos de Jackson, reservando este privilégio apenas para administradores da wikipedia, a fim de evitar vandalizações.

Segundo dados entretanto revelados, a Wikipedia terá sido outro dos centros de acção daquela noite, com um registo de 1.8 milhões de visualizações, bem longe da média de 20.000, isto enquanto os utilizadores procuravam confirmação da notícia.

Música

Entretanto, The Game, Chris Brown, Diddy, Usher, Mario Winans, Boyz2Men e outros juntaram-se para fazer uma canção de tributo “ao rei” ( “Better on the other side” ). Depois do primeiro tweet sobre essa música, tornou-se, naquele dia, como o link mais partilhado no twitter e, soube-se, registou nas primeiras 24 horas mais de 100.000 reproduções.

Conclusão

Independentemente de se gostar da personagem de Michael Jackson ou não, a verdade é que o seu contributo musical é inegável e o impacto que a sua morte criou na internet veio confirmar isso mesmo. Assistiu-se, naquela noite e nos dias que se seguiram, a um evento de mobilização poucas vezes visto na internet, principalmente por se tratar de um evento súbito, provocando efeitos que merecem ser percebidos e estudados.

O twitter assumiu-se, mais uma vez, como ferramenta “líder” na divulgação de notícias, suplantando, mais uma vez, muitos jornais e dando a liberdade a fãs de todo o mundo de expressarem a sua dor, naquele momento, democratizando e facilitando o acesso à informação, e abrindo portas à discussão numa escala global como, muito poucas vezes, foi visto.

A importância de Michael Jackson na altura da sua morte prova que, independentemente da excentricidade de que muitos o acusavam, o seu contributo musical é reconhecido de lés a lés, ou, parafraseando, de www a www.

Os fãs de Michael Jackson, um pouco por todo o mundo, choram agora a sua perda e a minha palavra é de pesar para eles e, acima de tudo, para a família de Jackson, agora que o mundo perdeu o seu “rei da pop”.

Fontes:

Mashable

TechCrunch

Paulo Querido, no Expresso

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Data
29 Junho 09 10:15

Autor
Ricardo Sousa
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Ricardo Sousa é um jovem empreendedor de 18 anos, que aos 14 criou um projecto de partilha de escrita (Textos & Companhia) que o lançou na seu percurso empreendedor. Actualmente começa a sua própria startup Cortiza, organiza a conferência SWITCH e faz parte do selecto grupo de Microsoft Student Partners, para além de estudar gestão no ISEG em Lisboa. As suas paixões são a web, a educação e o empreendedorismo. Siga-o no Twitter, adicione-o como amigo no Facebook ou veja a sua Página Pessoal


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